sexta-feira, 12 de março de 2004

Amém, Deus Atlas!

Sou plenamente a favor que todo mundo tenha uma esquisitice evidente. Claro, todo mundo tem mesmo, mas a maioria esconde. É aquela tese do “de perto, ninguém é normal”. Mas de longe também não deveria ser. Ser normal é muito... normal! Eu tenho uma estranheza leve e inofensiva que muito me orgulha: sou viciada e fascinada por mapas. A ponto de levá-los na bolsa...

É, eu sei que parece exagero. Só que não consigo tirar da pequena bolsinha um mapa da Europa que imprimi há anos. Ando com ele a tiracolo – pro caso de precisar mostrar a alguém onde fica Florença, sabe? Ninguém precisa saber disso às pressas? Bobagem, claro que precisa.

Incontáveis vezes já pude sacar o tal mapa e ajudar desavisados. Um amigo que voltara do Velho Mundo e queria mostrar o trajeto que fez, um garoto que precisava explicar onde iria morar em alguns meses, um tio que desejava achar a cidadezinha onde planejava passar férias... Todos fizeram cara de “hã?” quando eu disse que tinha um mapa logo ali, mas amaram a esquisitice.

A bem da verdade, qualquer mapa me diverte. Quando era pequena, podia me entreter por horas observando o globo iluminado do meu irmão. Procurava “o lugar com nome mais difícil”, “o maior país” ou “uma ilhota beeeem isolada”. Vladivostock, URSS e Tristão da Cunha quase sempre ganhavam minha atenção.

Ainda era hilário girar o mundo bem rápido e meter o dedão onde, supostamente, eu iria nas próximas férias. Quando dava algo como Laos, eu roubava e arrastava o indicador até a Índia. Ainda sonho ver o Taj Mahal ao vivo, por sinal.

Todo o problema de Vivi com guias não me é familiar. Posso olhar aquele livrão cheio de artérias asfálticas e me localizar em minutos. E olha que é muitíssimo comum o endereço que eu procuro estar na dobra ou na orelha gasta da página. Verdade verdadeira: tenho facilidade mesmo em me localizar. Por isso sou conhecida como Mulher Bússola! Bom, por isso e por usar um instrumento desses grudado no pulso...

A mania de fuçar os mapas do mundo inteiro já virou vício. O Atlas que eu encadernei depois de colecionar 765 mil fascículos da Folha de São Paulo, desintegrou pelo uso intensivo. Vendo meu emburramento a cada porção da África que se soltava, o namorido foi espetacular: dois natais atrás, me deu o maior, melhor e mais pesado Atlas do planeta! Adivinha se os parentes não acharam um presente pra lá de esquisito?

Não importa. Hoje sou dona de 800 páginas de mapas coloridos e detalhadíssimos (imagens de satélite, coisa fina). Para facilitar a consulta, ele fica aberto sob um móvel aqui de casa – como alguns fazem com a Bíblia. Com todo respeito... eu uso mais o Atlas.

Muita gente pergunta o que tanto eu checo no livro, já que o mundo é esse mesmo e não muda todo dia de formação. Vejo de tudo: quem é vizinho de quem, que montanhas atravessam tal país, onde certo rio desemboca, a capital de uma nação diminuta. Acho curioso saber pormenores de lugares que, possivelmente, posso ouvir falar um dia. Não sei dizer melhor que isso o que se passa, não. Esquisitice todos têm, mas ninguém explica.

Atlas2.jpg
Essa é minha leitura universal
* * * * * *

Grandes Garotas Também Agradecem

Dizem que por trás de um grande homem, existe uma grande mulher. Eu completaria: e por trás de um grande site, existem grandes leitores! A todo mundo que votou em nós para Top 3 do iBest, a todo mundo que incentivou e enviou palavras de carinho, a todos que escreveram para elogiar o selinho do Mario Bros. e o pop-up... obrigada é pouco! Vocês merecem é um ENORME OBRIGADA DE CORAÇÃO!!! De três corações!

Agora só falta vencer...

Fla Wonka às 01:10 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold