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De pano e carinho A única lembrança que eu tenho do meu quarto de bebê, além das borboletas recortadas e coladas na parede pela mamãe, era um casal de bonecos de feltro vestidos de marinheiro. Os dois ficavam pendurados perto do meu berço – e, quando trocavam minha fralda ou me davam mamadeira, eu devia ficar confabulando como conseguiria alcançá-los. Porque sempre fui apaixonada por brinquedos de pano! Assim como o par de marinheiros – que mudou de casa, pôde ser paparicado por mim mas encontrou o esquecimento na caixa de rejeitados do quarto de bagunça – tive diversos bonecos de tecido sem marca definida. A outra paixão que durou bastante foi uma Moranguinho genérica, toda molinha e cheirosa. Em diversas fotos da minha infância lá estou eu arrastando a boneca encardida pelos cantos. Também lembro-me do armário de retalhos que minha avó tinha ao lado da máquina de costura. Enquanto ela ficava fazendo bermudas e fronhas para membros da família, eu era entretida por pedaços de pano, tufos de algodão, linha e agulha. Das brincadeiras, saíram cobrinhas coloridas (com olhos de botão), caras de gatos e bonecas meio tortas (como aquela da Lilo, cabeçudinha, fiz várias!). As empresas nacionais de brinquedo descobriram existir crianças que não ligavam muito para pilhas e plástico duro e não largavam as fofuras macias nem para tomar banho. O resultado disso foi uma enxurrada de brinquedos de pano no mercado, sendo que muitos deles viraram grandes clássicos dos anos 80. Um dos meus favoritos era o cachorrinho de olhos tristes Snif-Snif. O boneco vinha numa caixa-transporte de papelão, junto com um certificado para a dona assinar. Até coleira de verdade ele tinha! Implorei para o meu pai me comprar um, e fui levada ao Mappin. Chegando lá, acabei escolhendo o mais feio (marrom-escuro com orelhas compridas) em vez do mais bonito (bege com orelhas curtinhas marrom) porque fiquei com pena dele. E se nenhuma criança gostasse e ele ficasse lá sozinho? Sabe como é. Também fui apaixonada pela Quem-Me-Quer. Apesar do rosto ser de plástico mole, o resto da boneca era puro pano macio e enchimento fofo. E aqueles cabelinhos de lã? A minha ostentava cachos vermelhos (claro) presos em duas marias-chiquinhas e o vestido xadrez preto-e-branco. Se não havia uma menina que não cedeu aos encantos da Quem-Me-Quer, com os braços sempre abertos e uma expressão de dozinho na cara, não seria eu a louca. E enquanto os meninos eram brindados com Transformers, aqueles carrinhos e naves espaciais que viravam um robô, nós garotas tínhamos a Menina-Flor. Lançada na novela “Mandala”, aquela fatídica com a Vera Fischer e o Felipe Camargo, a boneca era um dois-em-um de pano. Quando abríamos a caixa de papelão duro mais parecida com uma cestinha, encontrávamos um lindo vaso de flor. Colocando a mão por baixo dele, a flor levantava e aparecia a cara da boneca. Passando o vaso para dentro, a Menina-Flor era revelada. E ainda virava um fantoche! Minha Menina-Flor, como todos os outros bonecos e bonecas de pano que tive, acabaram se perdendo. Talvez culpa do tempo, talvez culpa da minha irmã caçula que herdou esse monte de brinquedo antigo sem apreço algum. Agora eu fico na saudade da sensação gostosa que dava abraçar os enchimentos e da maior prova do dito popular “lavou, tá novo”! ![]() Imagem emprestada do extinto blog Recordando.
Gêmeas mortas: Venha brincar conosco, Danny. Para todo o sempre. [Conseguiria o garotinho de "O Iluminado" escapar das irmãs assustadoras e testudas? Talvez não. Mas, quem sabe, pelo menos o Garotas conseguiria passar de fase no iBest. Vota lá! É só até amanhã!] Vivi Griswold às 10:45 AM |
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