quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

Eu amo o Carnaval

Agora que passou, posso falar: cultivo uma relação de amor e ódio com essa popularíssima festa cheia de tradição, animação, baticundum e peitinhos de fora. Já amei e odiei o Carnaval. Agora amo de novo – e talvez volte a achá-lo, com o perdão da palavra (como diria Cameron, o amigo de Ferris), um saco.

Quando eu era pequena, ouvia e decorava todos os samba-enredos das escolas porque meu pai comprava o discão todo santo ano. Não era especialmente fã de pular Carnaval (aliás, por que "pular"? As pessoas dançam, sacolejam e até pulam um pouquinho, mas nem tanto), porém adorava ver os desfiles na TV.

Especialmente da Mangueira, que eu adotei como escola favorita, porque tinha o nome mais legal (enquanto todo mundo era Unidos, Acadêmicos ou Grêmio Escola de Samba, a Mangueira era "Estação Primeira", ó que coisa linda!) e a combinação de cores que eu mais gostava (até na caixa de lápis de 36 cores o verde e o rosa eram minhas cores preferidas. Era como se a escola transportasse os meu enfeitinhos do caderno de brochura para a avenida!).

Mais crescidinha, passei a achar os poucos dias do reinado de Momo uma chatice sem fim. Valia pelo feriado, mas a aborrecente quase-cabeça que eu era julgava os dias de festerê uma alienação. Isso sem contar que em qualquer lugar que você fosse tocava os mesmos sambas ou a praga da axé music, com uma multidão de bêbados suados tentando tirar uma casquinha.

Agora, me libertei desses preconceitos da alienação, aprendi a respeitar a força da manifestação popular e só acho tudo muito engraçado. Mas muito engraçado meeesmo. Tão engraçado que... amo o Carnaval de novo. Afinal, em que outra festa pop a gente tem a chance de ver tanta comédia num espaço de quatro dias? Vai dizer que você não vê graça...

Nos samba-enredos
Essas músicas são realmente ímpares, a começar pelos títulos, que nunca têm menos de doze palavras. Depois, segue-se uma combinação de versos básicos, como viajei/voei/naveguei; a fim de encontrar a alegria/uma ilusão/um sonho; hoje é festa/folia/Carnaval; e eu sou verde e rosa/gavião/padre Miguel.

Quer saber? Ao invés de ficar aqui falando, vou exemplificar. Prepare a fantasia (mesmo que atrasada) para cantarolar o samba-enredo do Garotas!

Garotas que Dizem Ni: A Evolução de Três Moçoilas na Rede Mundial de Computadores Revivendo o Eldorado dos Anos 80 e Outras Cositas Más
(Compositores: Ben Sobel… Leone/ Sammy the Schnnaz/ Benny the Groin/Elmer the Fudd/ Tubby the Tuba)

"Alô, comunidade Ni! Chegou a nossa hora! Chora, cavaaaaaco!

É com pesar
O desemprego está aí (ô, está aí)
Fez das meninas
As Garotas que dizem Ni
(Repetir duas vezes esta estrofe, só no cavaquinho)

(entra bateria)

Viajei (voei, voei, voei)
Para encontrar uma ilusão (ô, uma ilusão)
No milagre da internet, as idéias em disquetes
Um mundo se descortinou

Na tela, do seu computador (ôo, ôo, ôo)
Uma nova esperança brotou
Pintando de rosa a avenida
Nesta festa popular, no afã de relembrar
Vem sambar e vem teclar... vamos brincar

Refrão:
Tem Pogobol, Susi e Ken,
A Barbie diz que não vem (ôo, ô, ôo)
Pula Pirata e War,
Cadê meu Scotland Yard?
Quero o meu também!

Hoje eu sou anos 80
O Garotas arrebenta (didididi-diz!)
Na Sapucaí!"

Viram como é fácil?

Depois dessa, vou é esquentar os tamborins e deixar o resto das minhas alegorias sobre o Carnaval para amanhã. (Ei, eu me esforcei para soar mais óbvia e mais chavão que os comentaristas dos desfiles!)

Como diria sêo Silvio, o homem, o mito, a lenda, o intérprete de "A Pipa do Vovô Não Sobe Mais": aguardemmm...

Clara McFly às 05:31 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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