quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004

Alta temperatura, grande saudade

Às três horas da tarde de ontem, o termômetro digital da Av. Rebouças, de São Paulo, marcava 33 graus Celsius. Sabendo que a medição não é lá muito acurada, pensei em chutar a verdadeira temperatura. Devido às ondas de calor no asfalto, ao meu pescoço vermelho após 5 minutos de caminhada, à minha calça jeans ensopada e à vontade de querer sumir dali para o refrigerador mais próximo, arrisco dizer que a marca de 45 graus na sombra se aproximava mais com a realidade. Pelo menos, a minha.

Como uma representante dos dois terços deste sítio rosado que não suportam temperaturas acima de 25 graus, preciso dizer, summer isn´t magic. Não vejo magia em ficar com marca de taxista nos braços, ou não conseguir andar 100 metros sem ter de parar para retomar o fôlego, ou suar em bicas após ter tomado um banho limpinho. Preciso dizer, porém, que nem sempre fui assim, emburrada com termômetros tropicais. O verão já foi muito bem-vindo... na infância.

Na infância, podíamos nos esbaldar com água e seus derivados a todo e qualquer momento, sem ter vergonha de molhar a roupa nem se preocupar com a escassez do artigo no planeta. Como a praia mais próxima fica a alguns muitos quilômetros de estrada e de congestionamento, eu me arrumava por aqui para aproveitar a estação. E me arrumava bem, viu?

Bons tempos aqueles, quando temperaturas senegalesas não significavam mau humor. Significavam...

... tomar banho de chuva
Todas as tardes de férias na casa da vovó guardavam a mesma expectativa: vai chover? Meu avô, matuto do interior, sempre conseguiu prever a precipitação antes mesmo das primeiras nuvens negras se instalarem no céu. “Hmm, esse vento é de chuva”, ele dizia, enquanto eu e meus dois primos pulávamos de alegria e sentávamos no balanço aguardando o momento cheio de água geladinha e barro que viria em seguida.

... ficar de molho na piscininha
Com a prática, demoravam apenas cinco minutos para encaixar os ferros prateados nos orifícios correspondentes da lona azul. Daí, era só encher de água, entrar e... só! A graça da piscina Regan era justamente ficar de molho até os dedos das mãos e dos pés virarem vinte uvas-passa cor-de-pele. Como ela era rasinha, até para esta pequenina criança, não propiciava altos mergulhos ou nados sincronizados.

... brincar com a mangueira
Adulto olha para uma mangueira e logo pensa “preciso lavar o carro”, “esse quintal está imundo”, “as plantas têm de ser regadas ainda hoje”. Criança, quando olha para o mesmo item, pensa: “oba, diversão molhada!”, “legal, liga agora!”, “será que dá para colocar um jato mais forte?”. Ligar o registro e segurar a ponta em cima da cabeça era o maior dos baratos. E também dava para patinar no chão encharcado!

... chupar gelinho a tarde toda
Será que ainda fazem e vendem gelinho? Para quem não se lembra, era um saquinho plástico fino e comprido, recheado de sorvete (leia-se “groselha congelada”). Custava uma bagatela e, na maioria das vezes, vinha bem sujinho. Limpávamos na roupa e mordíamos o canto, arrancando um toco de plástico, passando então à parte gostosa: consumi-lo! Depois, bebíamos o caldinho que sobrava. E pedíamos outro.

... usar biquíni para brincar
Já falei em outro texto sobre a minha tristeza de não poder usar mais os modelitos que eu usava quando era criança. Meu uniforme de brincadeiras era um short minúsculo e uma regata, ambos verde-piscina. Imagine se usasse isso para sair na rua! E, no calor, costumava brincar de biquíni. Se mamãe precisasse sair e me levar junto, ia assim mesmo, sem vergonha alguma. Criança pode tudo, né? Ainda bem que eu aproveitei.

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Novidades novidadeiras!

Caríssimos leitores e queridíssimas leitoras! Atendendo a muitos pedidos, hoje estamos inaugurando nosso Fórum! Isso mesmo, um espaço para vocês escreverem à vontade, deixarem comentários, mandarem textos, exprimirem opiniões, relembrarem coisas da infância e, principalmente, trocarem idéias entre vocês. Além de, claro, terem mais um canal para conversar com estas três mocinhas aqui.

Para participar, basta clicar aqui (ou no link “Fórum” da barra de navegação, por enquanto só na home) e entrar no link Registrar, logo abaixo do logo do Garotas. Cada um precisará preencher um cadastro, colocando nome de usuário e senha. Eles pedem o e-mail, mas é só certificar-se de que a opção “Sempre exibir meu endereço de e-mail”, logo abaixo do cadastro, em Preferências, esteja selecionada em “Não”, que essa informação permanecerá sigilosa.

Depois disso, é só brincar!

Estamos ainda em fase de experiência. Nunca havíamos participado de um Fórum, muito menos feito um. Portanto, talvez vocês encontrem imperfeições ou dificuldades que só saberemos usando. Se alguém tiver alguma dúvida, crítica ou sugestão, por favor, entre em contato conosco. Vamos corrigindo aos poucos...

Todo mundo pronto?

Vivi Griswold às 10:03 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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