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Eu + livrão = confusão Para quem já encarou o calhamaço segurador de porta que é “O Senhor dos Anéis”, um outro livrão gordo e cheio de ilustrações coloridas não deveria oferecer resistência. Porém, ah, como oferece. Não sei se as culpadas são aquelas letrinhas minúsculas, ou a ordem alfabética que me embaralha as idéias, ou ainda o stress do momento dificultado pelo chacoalhar do carro. Não adianta: Vivi e Guia de Ruas são dois artigos que não se entendem. É só o condutor perdido do veículo em que me encontro sugerir “pega o guia no porta-luvas, por favor?”, pronto. O formigamento já toma conta de meu corpo, a visão fica turva e eu entro em pânico com a certeza antecipada de que vou mais atrapalhar do que ajudar – e que não vai demorar muito para o condutor ficar bravo comigo, parar o carro e arrancar o volume de minhas mãos trêmulas e envergonhadas. A cena é sempre a mesma. Obedeço ao condutor (se ele sabe dirigir bem e tem um automóvel, merece meus respeitos) e saco do livrão. Daí, aperto os olhos míopes para ler a placa da rua onde estamos (ação dificultada se o período for noturno). Acho a seção de ruas em ordem alfabética e lá vou eu, com dedinho e tudo, encontrar uma linha específica no meio de centenas de milhões. Eu simplesmente odeio quando, por exemplo, a rua é Senador Fulano de Tal ou Deputado Qualquer Coisa. Vou direto na letra “S” e “D”, respectivamente, sempre me esquecendo que tais nomenclaturas não devem ser levadas em conta na hora da busca. Saco. Nesse ponto, o motorista começa a bufar – e eu ainda nem encontrei sequer uma indicação de onde estamos. Pensa que a primeira parte da tarefa está no fim? Nãããão. Dependendo do nível de criatividade daqueles que sugerem nomes de ruas, você pode se deparar com um título igual em dez bairros da cidade. O jeito é ir, bairro a bairro, desvendando as linhas espremidas com a paciência de um arqueólogo ancião até encontrar a localização desejada. Próximo passo é decorar o número que aparece ao lado do nome da rua, um código que lembra a batalha naval do Bozo. Algo como 705 E10, por exemplo. Basta ir até a página 705 e cruzar a letra “E” na horizontal com o número 10 na vertical. Ali, naquele ponto, há de estar o local exato (faço figas, bato na madeira e rezo para Santo Expedito). Ou o pior pode acontecer – após tanta demora, a rua provavelmente já cedeu lugar à outra. Vamos pensar na melhor hipótese. Vai que a rua seja, na verdade, uma avenida muito comprida, e ela ainda esteja lá quando a informação for finalmente processada. Preparo-me, então, para a parte mais temida. As indicações! O condutor, claro, não pediu a busca por puro divertimento. Ele quer saber como sair dali, ou como chegar em um outro lugar. E quem deve dar as indicações, hã, sou eu. Eu, aquela pessoa que confunde direita com esquerda em momentos de tensão. Eu, aquele ser que nunca sabe se estamos subindo ou descendo numa rua, se estamos no sentido Paulista ou Santo Amaro ou raio-que-o-parta. Giro o mapinha 360 graus umas três vezes – gesto que quer falar “socorro, não sei mexer nisso!”. E, finalmente, desisto. Cedo o livro para quem entende e me calo em minha falta de noção espacial e direcional. Mas eu sei bater um bolinho de fubá di-vi-no, viu? Vivi Griswold às 09:14 AM |
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