sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

Cuidado: banheiro

Quem vive na cidade hoje em dia sabe que, ao botar os pezinhos para fora de casa, automaticamente corre uma série de riscos. Ao trancar a porta e sair, ficamos em estado de alerta: pessoas estranhas que se aproximam, carros enlouquecidos que brigam por um mísero centímetro de espaço (mesmo que para isso passem a uma distância obscena do seu corpo), nuvens que ameaçam desabar num dilúvio.

Mas há um espaço fora de casa que me deixa mais nervosa que tentar atravessar o cruzamento da Rebouças com a Henrique Schaumann a pé e mais apreensiva que estar dentro do carro com uma chuva de verão caindo sobre a Marginal Tietê. São os famigerados banheiros públicos.

Eu tenho neurose de banheiro. Acho que qualquer coisa de terrível pode acontecer a qualquer minuto, naqueles cubículos mal-separados uns dos outros. Acho que é porque banheiro é lugar de coisas muuuuito íntimas. E acho altamente esquisito compartilhá-los com gente que você nunca viu.

Afinal, o cômodo azulejado cheio de equipamentos hidráulicos é naturalmente um local de completa vulnerabilidade. E se qualquer coisa fora do planejado acontecer, fica difícil resolver a situação – especialmente se você não está em casa.

Será que isso acontece só comigo e é hora de procurar um psicólogo? Ou será que eu não sou a única pobre alma que, ao usar um WC que não o da minha casa, teme intensamente...

Ficar trancada lá dentro
Desde que tive a desagradável experiência de ficar presa num WC na companhia de uma cobra d’água, há muito tempo numa casa de praia, o trauma se sedimentou. A bem da verdade, esse caso é tão velho que nem me lembro se aconteceu mesmo ou se sonhei. Mas não importa: gritar “ei, abram aqui!” é mico suficiente para justificar a paúra.

Disparar a descarga
Imagina só aquela água subindo, subindo, subindo até transbordar pelo vaso, enquanto você, desesperado, não sabe se corre ou se tenta estancar a enxurrada com papel higiênico – o que não adiantaria, mas criaria uma massa enorme de papel machê. É um de meus piores pesadelos.

Esquecer a porta destrancada
Nem precisa ser muito aluada: na maioria das vezes, as maledetas portas dos cubículos são desprovidas de trancas mesmo. Aí, você fica naquela contraproducente posição: tem de se esforçar para, a um só tempo, mirar o vaso (sem sentar, caso você seja menina) e segurar a porta. É muita dificuldade para um simples xixi!

Descobrir que não tem papel
Nesse caso, temos duas possibilidades. Se foi, como citado acima, um simples xixi, basta dar uma balançadinha. Não é uma coisa bonita de se fazer, mas na falta de um rolo, fazer o quê? Já se seu uso do banheiro foi para aquele segundo tipo de alívio, aí você está em seríssimos apuros e vai ter de gritar algo pior do que “ei, abram aqui!”.

Usar sabonetes líquidos
Refiro-me aqui a aqueles detergentes de côco terrivelmente diluídos, que alguns banheiros públicos oferecem. Humpf. Como se aquilo fosse mesmo feito para lavar as mãos. A infeliz substância não faz espuma, não importa quantos litros você use, e mesmo assim faz grudar um cheiro de sabão em pedra por dias nas mãos. Horror, horror.

Clara McFly às 06:03 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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