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Palmas para o grande Mussa Entre os quatro comediantes que me divertiram na infância, destacava-se o carisma de um típico anti-herói. Ele misturava com perfeição de gênio – e, como tal, de forma involuntária – doçura e marginalidade, alegria e desgraça, espontaneidade e vício. O sorriso fácil e largo, a barriguinha proeminente e o dialeto próprio fizeram de Mussum, o Mumu da Mangueira e meu trapalhão favorito, um dos donos do picadeiro da comédia brasileira. Bem, se não fizeram, deveriam ter feito. Dos palhaços, ele era o maior. Aposto que Antônio Carlos Bernardes Gomes já nasceu Mussum – não ficaria nem um pouco espantada ao saber que, quando soltou seu primeiro chorinho no casebre do morro carioca em 1941, o trapalhão soltou um “mééééé” ao invés do tradicional “buááááá” dos bebês normais. Seria a primeira piada agridoce do cara mais gente boa que a tevê nacional já viu: a cachaça, ou “mé" como ele gostava de dizer, ironicamente contribuiria tanto para seu sucesso quanto para sua morte, em 1994. Mas como estou escrevendo sobre o querido e alegre Mussum, não vou me ater a fatos tristes. Gosto de pensar que o Negão (se ele lesse isso, diria rapidamente “negão é teu passado”, como tantas vezes respondeu ao Didi) foi feliz, se felicidade tiver alguma coisa a ver com aquele sorriso iluminado. Tomara que tenha. Mumu estudou nove anos em um colégio interno e saiu de lá com um diploma de mecânico debaixo do braço. Ingressou também na carreira militar e, botando mais pimenta no tempero, fez parte do grupo Os Originais do Samba. Foi Dedé quem acabou convencendo-o a fazer parte do programa “Os Trapalhões”, no começo dos anos 70. Contam por aí que Mussum tentou escapar da proposta de todos os jeitos, dizendo que artista da televisão tinha que pintar a cara, e isso não era coisa de homem. Acabou aceitando, sem maquiagem alguma. E protagonizou cada uma das cenas sendo ele mesmo. O vício pela água que passarinho não bebe era tão parte de sua caracterização como era de sua vida. É estranho lembrar que em um programa familiar, de censura livre e cheio de piadas infantis, Mussum conseguia puxar uma garrafa e molhar a garganta com o “mé", como se isso fosse a coisa mais natural na Rede Grôbo (pode até ser, mas não na frente das câmeras, hein?). Refletindo no assunto, os Trapalhões eram uma espécie de boy-band tupiniquim. Parecido com os grupelhos de meninos, cada um dos integrantes carregava uma personalidade para que o público se identificasse. Como os Backstreet Boys têm o loiro mauricinho, o latino malandro e o fortão de academia, os “trapa” tinham o nordestino inocente que queria se dar bem, o baixinho palhaço meio unissex, o carioca que tentava faturar todas e, claro, nosso amigo cachaceiro do morro. Voltando a falar dele, o que mais me fazia rir era seu pitoresco dialeto. “Bunda”, por exemplo, era “forevis”. Tinha que ser um maluco muito genial para pensar numa coisa dessas. E isso era apenas o começo. Mussa solta sua voz em “Piruetas”, parte da excelente trilha sonora do não menos excelente “Os Saltimbancos Trapalhões”. Na parte que lhe cabe daquele latifúndio, canta: “E a barriguis ronca mais do que trovãozis”. Eu canto junto, a plenos pulmões. Ups, pulmãozis. ![]() Eita sorrisão! Nota da garota: E não é que algum desocupado fez um programinha com o dicionário Português/Mussum/Português? Brinque a valer clicando aqui, mas não coloque acentos nas frases porque daí não funciona. Vivi Griswold às 08:40 AM |
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