sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Amor, com sete notas

Vamos ver quem mata a charada: é uma coisa que sai do rádio – ou do computador, ou do aparelho de som. Quando é tocada, o ouvinte suspira pensando no ser amado, ou no ex-ser amado, ou ainda no futuro ser amado. O coração bate mais forte, as pernas ficam bambas e dá aquela vontade de sair dançando dois-pra-lá, dois-pra-cá e fingindo um par imaginário só para acompanhar o ritmo lento. E aí, quantas notas para o maestro Zezinho?

Se você respondeu “sete notas, sêo Silvio!”, vai tê-las. Mas ao invés da mão direita do mais famoso maestro da tevê brasileira dedilhando as notas no piano, vou mostrar minhas sete músicas românticas internacionais (*) favoritas.

Falar de amor não é fácil, cantar o sentimento também não. Claro que, se você for o Bon Jovi, é bem cômodo tascar um “baby” e “I love you” ao lado de versos ridiculamente açucarados do tipo “quando você respirar, quero ser seu ar”.

Mas quando a combinação letra bem sacada + melodia arrepiante + voz deliciosa funciona, pronto – eu suspiro toda vez. Principalmente se for uma dessas aí...

Nota sete: “Time After Time” - Cyndi Lauper
Cyndi, em minha modesta opinião, é a personificação dos divertidos anos 80, tão celebrados neste site. A garota de cabelos coloridos e picotados à faca tinha uma voz peculiar que já era um show à parte. Aqui, Cyndi canta um amor quase perdido e desgastado, cheio de memórias esquecidas e segredos escondidos. Mas deixa lindamente claro ao amado que, sempre que ele precisar, ela estará lá.
Verso do suspiro: “If you're lost you can look and you will find me/ Time after time” (Se você estiver perdido pode procurar e me encontrará/ Vez após vez).

Nota seis: “Can´t Help Falling In Love” - Elvis Presley
Não sei se chego ao ponto de ter uma Catarinha, a lombriga de estimação de Clara, dentro de mim. Porém, alguma coisa se mexe no meu estômago quando escuto o Rei cantar. E se a canção for essa aí em cima, o friozinho na barriga é multiplicado por mil. Elvis e sua voz fora deste planeta cantam um amor inevitável, tão certo de acontecer quanto o rio correr para o mar (ui). Hoje eu entendo o desespero daquelas garotas.
Verso do suspiro: “Take my hand/ take my whole life too/ For I cant´t help/ falling in love with you” (Pegue minha mão/ pegue minha vida inteira também/ Pois eu não posso evitar / me apaixonar por você).

Nota cinco: “Walking After You” - Foo Fighters
Não achei nem um pouco bacana a Flá ter chamado o Dave Grohl de feio-bonito. Tá certo, vou admitir que tenho uma certa queda pelo rapaz de cavanhaque que ficava injustamente escondido atrás da bateria do Nirvana. E a culpa é da balada quase sussurrada por Dave, cuja letra é um atestado de teimosia: não adianta ela fugir, porque ele estará em sua cola. E quem por acaso seria a tonta de sair correndo dele?
Verso do suspiro: “If you walk out on me/ I´m walking after you” (Se você me abandonar, vou atrás de você).

Nota quatro: “The Killing Moon” - Echo & The Bunnymen
Voltando aos anos 80, outra figurinha do meu hall de favoritos é Ian McCulloch e os sua banda de homens-coelhos. A voz do moço de lábios grossos e cabelo espetado é uma das mais belas que já ouvi, sem discussão. Quando ele canta um amor meio torto e misterioso então, tenho que parar para escutar e suspirar bem fundo. Pelo menos, essa eu pude testemunhar ao vivo. Preciso falar que nem pisquei de tanta emoção?
Verso do suspiro: “In starlit nights I saw you/ Sou cruelly you kissed me” (Em noites estreladas eu vi você/ E você me beijava tão cruelmente).

Nota três: “Can´t Take My Eyes Off You” - Vicki Carr
Ela já foi tema de propaganda com a Luciana Vendramini, já virou declaração de amor em filme com o Heath Ledger, já é uma campeã em todas as rodas de karaokê. Por isso me impressiona como a balada arrepia ainda que seja tão batida, ou que a gente já tenha decorado cada uma das palavras contidas na letra. Taí um caso de amor infinito – mesmo com uma música, está valendo.
Verso do suspiro: “I need you baby to warm the lonely night” (Eu preciso de você para esquentar a noite solitária).

Nota dois: “Anna (Go With Him)” - The Beatles
Você não agüenta mais ler sobre os Bitous neste site, né? Ah, mas não pude deixar de citar uma das canções mais tristes da história da música. O pobre rapaz acaba de saber que a Anna, sua amada, se apaixonou por outro. Bonzinho que só ele, o coitado tenta entender a situação e deixar a moça seguir seu caminho – desde que ela lhe devolva o anel. Ô, dó.
Verso do suspiro: “Anna, girl, before you go now/ I want you to know, now/ that I still love you so/ but if he loves you more/ go with him” (Anna, antes que você se vá/ eu quero que você saiba/ que eu te amo muito/ mas se ele te ama mais/ vá com ele).

Nota um: “She” - Elvis Costello
Outro Elvis, outra voz maravilhosa, outra balada arrebatadora. A diferença aqui é que este Elvis está vivo (quer dizer, publicamente) e possui um par de óculos que fazem esta garota suspirar. A música foi tema do filme “Um Lugar Chamado Notting Hill” e eu fiquei com ciuminho da Julia Roberts. Não por ela ficar com o Hugh Grant, mas por ter esse primor como canção-tema.
Verso do suspiro: “Me I'll take her laughter and her tears/ and make them all my souvenirs/ for where she goes I've got to be” (Eu, eu pegarei seu sorriso e suas lágrimas/ e farei deles meus souvenires/ pois para onde ela for eu terei de estar).

(*) As nacionais ficam para semana que vem.

Vivi Griswold às 08:39 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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