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Fiu fiu! Eu gosto de cantadas. Quer dizer, não saio em busca delas na rua: mesmo antes de “contrair matrimônio”, como atesta antipaticamente o papel que o juiz de paz me deu na saída do cartório, nunca fui de flanar muito por aí. Mas também não tenho nada contra ouvir elogios esporádicos – desde que bem feitos. E é aí que reside o perigo. A maioria dos representantes do sexo oposto lança mão de tiradas sofríveis para chamar a atenção das garotas. Oscilando entre a grosseria e o lugar-comum, as frases que deveriam ter o efeito de atrair acabam fazendo as moçoilas correr. E muito, se possível. A mais batida é “meu amigo quer te conhecer”, seguida de perto por “você vem sempre aqui?”. Essas estão tão manjadas que já viraram caricaturas de si próprias. Por isso, se você, amigo solitário, quer sair acompanhado de uma festa, não saque das tais. Mas nem sempre fugir da rotina ajuda. “Tanta carne e eu aqui comendo ovo” é até engraçada, mas não funciona. Quando ouvi essa, o máximo que o cara arrancou de mim foram gargalhadas. Além do mais, do alto dos meus 42 quilos, eu não tenho tanta carne assim... “Jesus te ama – e eu também” foi outra digna de nota. Cômica, é claro. Devido ao nível alcoólico do cidadão que proferiu tal heresia, deixei passar. Mas ainda que ruins, essas ao menos não ofendem. Pior foi uma amiga minha, que teve de aturar a seguinte pérola: Essa merece três dias e três noites de pinote, sem olhar para trás. |
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