quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

Eu os entendo e admiro

Celebro diariamente as diferenças óbvias entre meninos e meninas. Gosto de ser uma garota por incontáveis motivos – entre eles, poder fazer beicinho à vontade e não ter que servir o exército. Mas eu bem que queria tentar ser um rapaz na próxima encarnação. Só para sentir como funciona de fato esse estilo de vida tão simplório e sem frescura.

Eles, os moços, dizem que não entendem as mulheres e que somos seres muito complicados. Sempre pensei que isso era preguiça de prestar atenção ou embromação mesmo. Mas hoje vejo diferente. Acontece que os meninos têm uma forma de raciocinar muito particular. E interessante à beça para quem tiver paciência de observar.

Semanas atrás, por exemplo, eu fui ver dois amigos jogarem bola, em pleno sábado de manhã, num grande parque paulistano. Se soubesse que ia ser uma experiência tão peculiar, tinha levado câmera, binóculos e bloco de anotação.

O caso é que não era um futebolzinho comum. Os garotos se reúnem ali todo fim de semana para jogar Flag, disputa que tem regras semelhantes às do futebol americano. Um dos meus amigos é profissa nesse negócio. O outro, ainda leigo. Mas quem pensa que a falta de intimidade de um deles com o jogo criou problemas ali, se engana muito.

O novato foi atirado entre os participantes sem nada além de um “ó, é a primeira vez que ele joga, dá uma força aê!”. E o grupo fez isso mesmo! Os dois nem ficaram no mesmo time! Fiquei chocada... Isso não poderia acontecer do mesmo jeito entre meninas. Há! Se fosse um jogo de mulheres, a moça nova no pedaço teria que ser apresentada a uma por uma das habitués, mas ainda assim ficaria um clima meio desconfortável. E levaria seis semanas até ela estar à vontade entre as colegas.

Já com os meninos, eles podem virar amigos de infância em seis minutos. Há o momento da apresentação, e daí eles se cumprimentam com apertos esmaga-mãos ou aqueles tapões de deslocar ombros.

Depois dizem qualquer coisa relevante como “eu torço pro Arapiraca também!” e pronto: camaradas para sempre. Logo em seguida já estão se tratando com aqueles “mas que coisa de viado” e “sua mãe não acha”. Pena que as garotas não são exatamente assim... há um período de incubação muito maior para sair amizade real entre meninas. E botar pai no meio é proibido de verdade.

Por essas e outras é que dá para entender muito bem porque garotos não acham que sapatos são artigos de primeira necessidade e que ver filme de amor afeta a masculinidade. Eles não se apegam em detalhes ou atentam para sentimentos desnecessariamente profundos – e funcionam desse mesmo jeito há milhões e milhões de anos!

Provavelmente, lá no tempo das cavernas, as mulheres é que batiam boca decidindo as melhorias para o acampamento e a forma mais correta de estocar os víveres – o que criou essa distância natural entre meninas. Os caras deviam ficar batendo uma bolinha, jogando um carteado e reforçando a amizade... como fazem graciosamente até hoje.

Fla Wonka às 12:42 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
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· Vivi Griswold