Taí a maior vantagem de ser magrela: além de caber em qualquer cantinho num carro lotado e não ter de aturar cara feia do pessoal com quem você divide um banco no ônibus, quem nasceu com essa condição encara qualquer prato sem culpa e com total alheamento de seu valor calórico.
Comer é um de meus passatempos favoritos. Ei, eu tinha de ter alguma vantagem depois de passar anos ouvindo “nossa, mas você deve ser fraquinha, hein?” ou “olha, essa bota vai sobrar na sua canela...”! Nada mais justo, pois, que essa garota fininha aproveite o lado bom e encare um garfo na boa.
Com todo esse gosto pela coisa, reuni algumas das coisinhas de comer que, à simples menção do nome, me deixam com água na boca. O melhor de tudo é que todas essas delícias são caseiras e nunca tive de pagar um tostão ou freqüentar restaurantes chiques para abocanhá-las. Algumas dão mais trabalho, outras são feitas num tapa. Mas todas fazem meus olhinhos de glutão brilharem e a Catarina, minha lombriga estimada, se encher de alegria.
Bolinho de chocolate expresso
Eu mesma cuido de preparar esse, com receita que aprendi com uma amiga de ginásio. A massa, batida no liqüidificador (obrigada, H!), fininha e sem farinha, nada mais é senão uma desculpa para se encher de brigadeiro, que vai em cima à guisa de cobertura. Como se eu precisasse de desculpa para isso...
Bolo fanta da minha tia
Esse era preparado em ocasiões especiais da infância, como festas de aniversário, Natais ou... ah!, minha tia era boazinha e fazia essa delícia em qualquer dia! Verdadeiro manjar dos deuses, derretia na boca e era composto de côco, fanta e uns minutos na geladeira. É o mais perto que eu jamais cheguei do gasoso laranja – e com gosto.
Sopa de couve-flor
Especialidade da mulher do meu pai, só provei o prato porque fui jantar na casa deles e achei que ficava chato recusar. Ainda bem: a tal sopa é algo de delicioso. E olha que eu nem sou lá muito fã de caldos. Até gosto, mas tenho uma restrição: a não ser quando acompanhados de algo mais pesado, eles não enchem minha barriga, tampouco satisfazem a exigente Catá. Mas essa é uma bela exceção.
Lasanha da minha mãe
Ah, sim! Além de paciente e inventadeira, minha mãe é uma cozinheira de mão cheia. Nem Famiglia Mancini, nem Don Carlini, nem Terraço Itália: a melhor lasanha que já adentrou essa boca é a dela. Inspirada pela figura, eu também gosto de cozinhar. Mas ainda tenho que comer muito arroz-com-feijão (o que, pensando bem, não é nada mal...) para chegar ao punch culinário da moçoila.
Pão doce da minha avó
A dona Flor, quando estava faceira e saudável, preparava um pão do qual eu poderia me alimentar por meses, tal qual Frodo e Sam com as lembas élficas em sua jornada. Mas aposto que a rosca que ela fazia é melhor que a iguaria do povo de orelhas pontudas. O gozado é que a receita é um mistério para mim: como ela podia misturar ingredientes tão díspares como mandioquinha e leite condensado e ainda tirar daquilo algo de bom? Saudades...