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Isso sim é nome que se dê! Meses atrás, procurando da prateleira de CDs um disquinho que contivesse a maravilhosa “Rescue Me”, me peguei ridicularizando o nome de certos álbuns. Foi um tal de achar tantos nomes bobos, chatos e pouco criativos, que a sessão-sarro virou um texto. Esse aqui, ó. Mas é claro que existem exemplos contrários. Tanto que um deles ainda será parodiado para batizar um suposto CD das Garotas que Dizem Ni. Mas antes de contar como se chamará nosso compilado de canções, é bom falar daqueles que deram títulos bacanas aos seus filhotes musicais. Porque eu ainda defendo: gravar todo um trabalho e depois dar um nome estúpido como “Mais” ou “In The Zone” é muito desperdício. Já algumas bandas gastam mais que sete neurônios e pensam em algo realmente bom. O Plebe Rude, por exemplo, me brindou ainda meninota com aquele “O Concreto Já Rachou”. Além de sonoro, tem atitude. É como meu segundo disco predileto do Língua de Trapo: chama-se “Como é Bom Ser Punk”. Nada de barulheira, é pura esperteza mesmo: a canção-título começa com uma melodia erudita, mas é só de farra. Um dos músicos que mais gosto no país também parece ser bom de inventar nome – quase tanto quanto é bom de inventar som. André Abujamra e sua banda Karnak deram o nome de “Estamos Adorando Tokio” para um CD. Quando ainda era parceiro de Maurício Pereira no Mulheres Negras, o moço chamou seu segundo disco de “Música Serve Pra Isso”. Com essa, ele quase fez o que todo jornalista sempre quis: escrever uma matéria e dar o título de “Leia o texto abaixo”. O Titãs, hoje aquela bandinha estranha que toca na novela, também já teve seus momentos para nomear discos. “Cabeça Dinossauro” é o que mais gosto, ainda mais com aquela desconcertante imagem de capa – que a Clara, até hoje, jura que é o Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura Gilberto Gil. No âmbito internacional, também existem ótimos nomes de CDs. Tudo bem que, em inglês, tudo me parece mais garboso... e depois a gente traduz e vira uma caca. Mas eu gosto mesmo de “Take Off Your Pants and Jacket”, do Blink 182. É bobão e debochado como os três garotos, então casa bem. Também é incrivelmente legal o título de um dos discos do Beach Boys, “Pet Sounds”. Diz a lenda que Brian Wilson achava que suas músicas eram como “bichos de estimação”. Haja ácido, hein? Porém é um meigo e simplório título que sempre vem à mente quando o assunto é nome bom de disco: “O Passo do Lui”. A capa do segundo álbum dos Paralamas do Sucesso mostra um rapaz em posição tortinha, como que dançando bêbado. Aquele é o Lui, amigo da banda no início de tudo – e que, dizem, dançava mesmo meio esquisito. Depois o Lui caiu fora, tomou seu caminho. Momento de segredo: essas Garotas aqui também já tiveram seu Lui. Nem sempre fomos um triângulo de bermudas, sabe? Antigamente, no início do nosso tudo, existia uma quarta moça. Ela casou, mudou e, como o Lui, virou uma divertida e saudosa história. É por isso que, quando gravarmos enfim nosso CD, ele há de se chamar... “O Passo da Helô”. |
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