segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

A falta dela é um choque

Aconteceu de novo nesse fim de semana. E quando acontece, parece que o mundo para de rodar e eu estou condenada ao enlouquecimento. Só um humano perdido em ilha completamente deserta, sem kit de sinalização ou livro de palavras cruzadas, é capaz de entender o que eu sinto quando a energia elétrica não dá sinais de funcionamento!

Basta cair meia dúzia de gotas molhadas do céu e meu bairro vira uma vila de pescadores do sul da Bahia. Dizem os xeretas que é problema no transformador de sei-lá-onde. Como crédula máxima da Teoria da Conspiração, eu acho que é assim: choveu, “eles” desligam a eletricidade para nos fazer economizar na marra. Não importa a intensidade do toró, é tudo um grande golpe.

Mas no momento em que a energia do prédio se vai, quem passar pela minha porta há de pensar que fui esfaqueada. Apagou tudo, ecoa pelo apê um grito de “nããããão!!!” – seguido de uns palavrões, caso eu esteja no banho. Minha Nossa Senhora da Ducha Corona: como eu detesto começar um banho gostoso e quentinho e, lá pela segunda aplicação do xampu, perceber que o jato d’água morno virou uma cachoeira antártica!!! É de corroer a alma.

Passado o ataque de raiva, a falta de eletricidade me deixa é completamente sem ação. Todas as últimas vezes foram assim. Não deu para ver o programa predileto na televisão, muito menos ver um filme no DVD. Não deu pra ligar o computador. Não pude bater um bolo pra distrair. Não consegui ler por causa do breu. Não liguei para ninguém porque o telefone é sem fio e descarrega fácil.

E o drama sempre segue o mesmo script: bato a perna na mesinha de apoio, me queimo com os fósforos, deixo a parafina das velas pingar pela casa. Se eu já sou um “Mister Bean de saias” no claro, imagina no escuro...

Para o gênio que pensou “sai de casa e vai curtir a rua, bocó”, eu explico. O elevador não funciona sem a energia porque meu condomínio é pobre. E descer oito andares de escada tendo dois joelhos tortos como os meus é suicídio – e o passeio a pé não seria grande coisa depois disso.

Não adianta, falta de energia me faz sentir como uma garota das cavernas. Ou como o Tom Hanks em “O Náufrago”. É isso!!! Preciso comprar uma bola de vôlei Wilson para o próximo apanhão regional!

Wilson.jpg
Wilson, amigão! Quer me fazer companhia?
Fla Wonka às 01:25 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold