A cidade onde nasci e moro atualmente fez 450 anos ontem. Após semanas de reportagens na tevê, matérias de capa em revistas, manchetes e suplementos em jornais e declarações embaladas pela indefectível “Sampa”, de Caetano Veloso, não sobrou muita coisa para se falar sobre a data comemorativa. Na verdade, sobraram pouquíssimas coisas – e são exatamente as miudezas locais que mais significam para esta garota paulistana.
São Paulo foi celebrada como capital gastronômica do país, como cidade que nunca dorme, como lar de gente trabalhadora, como caldeirão cultural e todos os clichês que todo mundo já está cansado de saber. Também foi criticada pela violência, pelos buracos, pelo trânsito, pelo transporte coletivo, pelo excesso de cinza. Mas a cidade de que eu gosto não está nem para os restaurantes chiques, nem para a selva claustrofóbica de concreto.
Meus passeios favoritos em São Paulo não custam caro. Para fazê-los, tudo o que você precisa é de uns trocados no bolso e uma ajudinha divina para o sol aparecer.
Liberdade
Segundo minha certidão de nascimento, foi no bairro oriental onde dei o primeiro chorinho. Talvez seja por isso que eu adoro aquelas ruas lotadas cheias de lanterninhas típicas que andam implorando por uma restauração. Sabia que a Liberdade é a maior concentração de japoneses fora do Japão? É possível encontrar de tudo nas lojinhas (gosto particularmente da Pomona e da galeria Sogo, ambas na Galvão Bueno). Aos domingos há uma feira de artesanato e comilança concorrida a tapas, onde dá para comer camarão empanado no espeto e doce de feijão divinos!
Quanto gasta: 5 reais de estacionamento (ou um passe de metrô), mais 10 reais para comer até se fartar.
Feira da Benedito Calixto
Do bairro onde nasci, para o bairro onde moro. Aos sábados, meu passeio favorito antes do almoço (quando eu consigo acordar) é descer do prédio e caminhar até a praça Benedito Calixto, a poucas quadras. A feira de antiguidades e bugigangas já é clássica – e por isso mesmo é entupida de todos os tipos de paulistanos e turistas. Atenção para a barraquinha de doces, com pastel de Santa Clara e ambrosia no copinho descartável. Na volta, gosto de dar mais um passeio pelo bairro, principalmente nas pracinhas e ruas de paralelepípedos repletas de grafites artísticos.
Quanto gasta: 5 reais para doces diversos, mais 10 reais para alguma bugiganga.
Jardim Botânico
Enquanto milhares de famílias barulhentas lotam o Jardim Zoológico, tente escapar do fluxo e siga reto para o parque vizinho – sempre lindo, vazio e reconfortante. Chupar um picolé sentada na grama ou debaixo daquela alameda coberta por um “teto” de bambus não tem preço, nem para o Credicard (até porque o tio do sorvete não deve aceitar cartão). A lei ali é ficar de bobeira e, se a preguiça permitir, fazer uma caminhada até as estufas de orquídea e os laguinhos cheios de girinos. Como é proibido andar de bicicleta, skate e similates, a tranqüilidade é garantida.
Quanto gasta: 3 reais de estacionamento, mais 2 reais de ingresso, mais 2 reais de picolé.
Feira do Bixiga
No bairro italiano também conhecido como Bela Vista, mais precisamente na praça Dom Orione, é montada uma feirinha de antiguidade aos domingos. Sem o burburinho às vezes cansativo da Benedito Calixto, a feira do Bixiga também ganha pela originalidade. Lá realmente pode se achar de tudo. Das últimas vezes em que passei, trouxe para casa um vidro de leite antigo (sem o leite, claro), uma garrafa antiga de Pepsi e muitas das prendas etregues em nossa Promoção de Natal (o playmobil, as figurinhas “Amar é...” e o cubo mágico são de lá). Passeio original e divertido, como a vida deve ser.
Quanto gasta: 5 reais de estacionamento, mais 10 reais para alguma bugiganga.
Sebos do centro
Apesar de sofrer com as crises de rinite alérgica após a visita, não consigo deixar de freqüentar os sebos do centro de São Paulo. O melhor local é a região atrás da Catedral da Sé (aproveite e visite a igreja, lindamente restaurada), perto da Praça João Mentes. Livros, discos, gibis, CDs, DVDs até onde a vista alcança são as atrações dos sebos. Sempre volto para casa com as mãos pretas e os olhinhos brilhando pela aquisição de revistas antigas (gosto das de variedade das décadas de 50 e 60) ou algum vinil só para fins decorativos, porque minha vitrolinha já se perdeu há tempos.
Quanto gasta: 5 reais de estacionamento, mais 5 reais para revistinhas, mais 1 real por cada vinil.
Feira de flores do Ceasa
Já reparou que eu adoro uma feira? A do Ceasa, porém, é diferente. Ali, todas as terças e sextas pela manhã (e bota manhã nisso, é preciso madrugar) acontece a feira de flores. É um mar de cores que não tem fim, o que por si só já vale ter pulado da cama. De vasos com mudas de maria-sem-vergonha a 5 reais a caixa com dez unidades a uma palmeira de seis metros de altura a 500 reais, tem para todos os gostos e bolsos. O passeio também é concorrido e cheio de gringos – mas não há como ficar de mau humor quando se está cercada por aquele mundaréu de margaridas, né?
Quanto gasta: 5 reais (acho) de estacionamento, mais 2 reais por um maço de gérberas.

E ainda tem gente que paga caro
para acabar com o stress...