sexta-feira, 23 de janeiro de 2004

Nominal a quem?

Eu já disse por aqui que, quando a gente era pequeno e brincava de escritório, meu irmão só topava bancar o cliente se pudesse se chamar Magáiver - o que era sempre motivo de brigas, pois ninguém normal se chama Magáiver. E o Magáiver verdadeiro, aquele fabuloso agente capaz de explodir uma prisão usando um teco de chiclé mascado e um pouco de terra, jamais iria ao meu escritório improvisado sobre o murinho do gás.

Eu achava que esse era o maior nome de fantasia que já vi, mas hoje admito que não. Quer ver um terreno fértil, fértil para encontrar nomes muuuuito inventados -- e que dão na cara que são inventados? As cantoras de R&B norte-americanas. Ô gente criativa! Ou você acha que alguém se chama Beyoncé? E Ashanti, então, por Deus?!

Pensando nisso e aproveitando vários endereços enviados pelo Zappa, grande amigo e notório caçador de tranqueirinhas divertidas da web, fui em busca do meu nome se eu fosse outra pessoa. Quer dizer, a mesma pessoa mas levando outra, por assim dizer, vida.

Se eu não fosse a Clarissa Alguma-Coisa Passos -- menina magrela cheia de macaquinhos no sótão e recém-transformada em ruiva, que divide com duas garotas bacanas um espaço cor-de-rosa cheio de leitores supimpas na internet -- descobri nos geradores de nomes que eu poderia me chamar...

Rosie-Posie Boggy-Hillocks, se eu fosse uma hobbit. Talvez até participaria da jornada para queimar o anel (no bom-sentido, claro!)

Lúthien Linwëlin, se eu fosse uma elfa. É claro que, assim, Aragorn, o homem, o mito, poderia acabar se casando com outra moçoila de orelhas pontudas...

Killdozer, se eu fosse um smurf. Uma coisa é certa: eu avisaria o Gargamel que, se ele foi capaz de fazer a Smurfette, podia fazer um punhado de bichinhos azuis e deixar meu povo em paz!

Cybernetic Lifelike Android Responsible for Intensive Sabotage and Scientific Assassination, se eu fosse uma cyborg. Note que as iniciais formam meu nome e eu seria responsável por "sabotagem intensiva" e "assassinatos científicos" (?!).

Sandy Blue, se eu fosse uma estrela pornô. Ok, eu nunca pensei em ser uma estrela pornô. E o pior é que o nome é justo o da cantora mais "mamãe-sou-virgem" do Brasil!

Ass Machine Teapot, se eu fosse uma legítima moradora dos guetos nova-iorquinos. Eu não tenho a menor idéia do que isso significa, mas acho que eu preferiria, nesse caso, me chamar Ashanti...

Clara McFly às 06:36 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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