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Para fiar e saber o futuro Afora o período da infância, em que todo mundo tem mais ou menos os mesmos desejos – um pacote de pinos mágicos, um punhado de playmobils, um jogo Detetive – sempre fui chegada em ganhar presentes, por assim dizer, pouco ortodoxos. No Natal de 1992, por exemplo, ficou clássico o episódio em que pedi, ao invés da classe geral de presentes esperados pelos meus primos já adolescentes – perfumes Thaty, roupinhas da Pakalolo e afins – um livro, o “Boca do Inferno”, da Ana Miranda. E não foi nada mal: enquanto os vidrinhos de Thaty se esvaíram (graças a Deus) e as roupas da Pakalolo, se muito, viraram pijamas, a brochura com a história de Gregório de Matos permanece na minha estante. Mas ainda há, apesar de meus insistentes apelos, alguns objetos de desejo que ninguém quis me dar. Uma pena, pois tenho certeza de que eles seriam de muito bom uso. Ou não. Mas quem se importa? Eu daria tudo para, por exemplo, ganhar uma bela e antiqüíssima... roca de fiar. Acho aquilo algo de sensacional e mágico. Como, por Deus, as pessoas fazem fiapos de lã virarem fios? Sou apaixonada por rocas desde que assisti a “O Tempo e o Vento” empoleirada na cama da minha mãe, lá pelos idos dos 80. Ana Terra tinha uma roca. Por que eu não posso ter? Outra coisa bem bacana seria uma tábua ouija. Já procurei por toda parte e não encontro o infame tabuleiro, que se presta a trazer mensagens dos mortos. É um upgrade da boa e velha brincadeira do copo: ao invés de ficar recortando papeizinhos com letras e as palavras “sim” e “não” a toda rodada, basta todo mundo segurar o cursor de madeira sobre a tábua, que já vem com as letrinhas e tudo. Tá certo que a Regan, d’”O Exorcista”, não se deu nada bem com a brincadeira, mas eu teria mais cuidado. Por fim, outro de meus pedidos impossíveis – e acho que o mais fácil deles – é uma bola 8. Manja aquelas esferas pretas que você faz uma pergunta e sacode, e ela responde com uma seqüência randômica de frases padrão? É um brinquedo bem popular nos Estados Unidos. Em “Toy Story”, os personagens fazem uso dela várias vezes. Por aqui, eu teria de me conformar com o Guru do Gugu, o que está fora de cogitação! Das duas uma: ou alguém cria coragem e me dá qualquer um desses deliciosos objetos ou eu paro de assistir televisão. É tudo culpa da caixinha de imagens! ![]() Se não fosse a tv, eu nunca saberia da existência disso! |
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