terça-feira, 20 de janeiro de 2004

Touch!!!

Esqueça tudo o que você imaginou ser característica de chefe babaca. Acredite: o seu, por mais bisonho que pareça, não deve chegar aos pés desse moço que eu vou apresentar. O nome dele jamais será dito aqui, para preservar a peça rara. Na verdade, é para evitar processo mesmo...

Essa figura enervante azucrinou a minha mente durante 8 meses. A da Vivi, por quase um ano. A da Clara, por cerca de 180 dias. Sim, é isso: foi esse o rapaz que, em 2001, mandou as três garotas aqui para o olho da rua. Fomos demitidas do site de Entretenimento/Prêmios/Uau!, como vocês sabem, no mesmo dia. Na hora do almoço. Antes do feriado de carnaval.

Para efeito de texto, vamos dizer que o sujeito se chamasse Paulo. Vinte e poucos anos, bonitinho, sorridente, roupa sempre impecável, maneiras de garoto bem nascido. Olhando de longe, dava a impressão de ser o genro que mamãe pediu a deus. Isso se a mamãe batesse a cabeça num poste e achasse que um almofadinha sem espírito ou humor pudesse ser bom partido pra mim.

No geral, não havia muito o que reclamar sobre o Paulo. Mas os problemas eram variados. Se ele tentava ser engraçado, soava idiota. Se pretendia ser durão, parecia uma tia velha. Queria ser gentil, merecia levar um soco. Não era de propósito, eu acho, mas o rapaz não tinha mesmo uma cabeça boa e interessante grudada naquele pescoço.

Por exemplo: que espécie de mala chama as pessoas por apelidos coligados? Um dos garotos da redação chamava-se Franco. Ele TINHA que cumprimentar o menino, diariamente, dizendo sempre “bom dia, Franco Suíço!”. Ouvir uma vez, nos botou a gargalhar. Na centésima, quase jogamos a cadeira roxa nele.

Adepto do sistema “Incentivo Meus Funcionários como um Monitor de Acampamento”, o Paulo tinha mania de hiper-valorizar. Sim, elogio é bom, mas vejam isso. Um dia, quando precisamos trocar os postos de trabalho de lugar, a Vivi sugeriu mudar os três ocupantes do mesão A para aquelas três estações vazias no mesão B. Simples como encaixar o rabo no burro sem usar a venda, né? Mas o chefe quase teve um espasmo: “Vi, mas que PUTA idéia!!!!!!” A pequena ruiva nem conseguiu agradecer, tamanho o susto...

Fora isso, o Paulo ainda fazia coisas estranhas. A gente sempre se perguntou se o moço tinha estudado com professor particular, dentro do quarto... Sabe quando a pessoa não tem jeito de quem freqüentou a escola com mais crianças? Pois é. Ele achava, por exemplo, que o nome da dupla sertaneja era ChiRtãozinho e Xororó. ChiRtãozinho, com R?? Em que buraco essa criatura viveu, ninguém sabe. Mas sabemos por que ele ganhou entre nós o apelido de “baby carrot”, como aquelas cenourinhas bestas criadas em laboratório.

Não bastasse ser zureta assim, o tal ainda ameaçava nossa integridade física. Um “olá” significava dois tapões nas costas – mesmo a gente sendo menina. Pior, só quando o Paulo ficava mesmo muito feliz. Porque, nesse caso, ele estendia a mão pro alto e nós éramos obrigadas a bater ali, como fazem os jogadores de basquete. Para acompanhar, o cabeçudo soltava um grito de “Touch!”, para vibrar com a palma batida. Dose...

A verdade, porém, é que o pobre Paulo também sofreu conosco. Para combater a chatice dele, a gente ouvia “Total Eclipse of the Heart” em alto volume toda tarde, ria compulsivamente e tirava sarro sem discrição dos demais diretorezinhos da empresa. Muito bem... vai ver o rapaz mais pateta do mundo teve razão em se livrar de nós. Mas que se eu o visse hoje ia querer dar um “touch” naquela cabeça tonta, eu ia.

Fla Wonka às 01:44 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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