terça-feira, 20 de janeiro de 2004

Palavras do Mal, palavras do Bem

Eu adoro aqueles desenhos que mostram um anjinho e um diabinho em cada ombro do personagem. O anjo, normalmente, transborda em palavras doces e sábias, indicando o caminho do Bem. O diabo, por sua vez, mostra-se dissimulado e tenta encaminhar sua vítima para um mundaréu de problemas. Caso eu tivesse duas mini-Vivis, uma boazinha e uma malvada, me acompanhando, o que será que elas iriam sussurrar no meu ouvido?

Se a escolha coubesse a minha pessoa, gostaria de contar com os aconselhamentos de uma anja um tantinho maliciosa. E de uma diaba irônica e engraçada. Nem pro algodão-doce, nem pras labaredas de enxofre. Juntas, iríamos nos divertir horrores. Já pensou, assistir televisão e poder tecer todos os comentários maldosos com uma diabinha? Ou ter uma anjinha que nos apóie quando queremos falar um palavrão bem cabeludo?

Mas como algumas coisas não são como a gente sonha, imagino se minhas duas consciências conflitantes resolvessem soltar frases comuns, que ouço normalmente – para a minha tristeza ou felicidade. A parte má falaria tudo o que eu mais odeio ouvir; a parte boa, tudo o que me alegra em escutar. Quer ver?

Palavras do Mal

Ai, credo, eu odeio gato!
Ninguém é obrigado a saber que eu amo todo e qualquer bichano, ou que eu tenho alguns na casa da minha mãe dos quais morro de saudade. Ou que eu choro de tristeza ao saber que o Theo e a Sofia ficam deprimidos pelos cantos porque eu não moro mais lá. Também respeito toda opinião diferente da minha. Mas isso não me impede de roer de raiva quando ouço essa máxima. Pra começo, como alguém pode odiar um animalzinho? Se ainda fosse barata, percevejo ou mosquito da dengue...

Mas você tem o rosto tão delicadinho!
Devido aos meus quase 2 graus de miopia, sim, eu uso óculos. E não acho isso o fim do mundo, nem fico querendo comprar aquelas armações invisíveis a olho nu que muita gente gosta, para tentar disfarçar o indisfarçável. Como sou da política “quando não se pode vencê-lo, junte-se a ele”, passei a encarar meus óculos como um acessório fashion. E eu odeio ouvir essa frase dos vendedores, que adoram me empurrar um “delicadinho” quando eu quero mesmo algo vermelhão cravejado de strass!

Olha, é o símbolo do “Charmed””
Sou fascinada por História e, depois dos egípcios, os celtas são meu povo antigo favorito. Eles habitaram uma boa parte da Europa, principalmente o Reino Unido, há muitas centenas de anos antes da Era Cristã. Amavam a natureza (também, com aquelas montanhas verdinhas...) e tinham uma religião misteriosa. Um de seus símbolos mais importantes foi usurpado pela série “Charmed”. Eu tenho um anel com o tal símbolo, e fico louca da vida quando alguém acha que sou fã daquele projeto de seriado ruim.

Escuta, é a música do “Charmed”!
Como se não bastasse macular a tríade celta, o programa de tevê que mostra o dia-a-dia de três bruxas modernas – repleto dos mais toscos efeitos especiais e das tramas mais sem pé nem cabeça – ainda tem a cara-de-pau de exibir como tema uma versão safada de “How Soon Is Now?”, uma das canções mais belas e profundas da minha banda favorita, The Smiths. É só o tempo dos primeiros acordes começarem a tocar que alguém já saca do comentário “é a música do ‘Charmed´!”. Grrrr.

Não vai exagerar, senão você engorda, hein?
Já contei em outro texto como o fato de ser magrinha compele os outros a fazerem piadinhas sem-graça. Parece que há um certo grupo que pensa que os seres magros de ruindade (meu caso) devem pagar por todos os pecados da Terra exatamente por não terem problemas com a balança. Daí, parece ser liberado qualquer tipo de comentário do tipo “nossa, como você é magra”, quando dizer o contrário – chamar uma pessoa de gorda – seria politicamente incorreto e de muito mau gosto.

Palavras do Bem

É presente?
Se existe uma coisa que eu gosto é ganhar presente. Claro, não sou boba. Mas não precisa ser um presentão de aniversário – qualquer prenda embrulhada em papel colorido tá valendo. Por isso, não me controlo quando escuto de uma vendedora a pergunta “É presente?” no momento em que estou adquirindo um produto. Mesmo que a compra seja para mim, costumo dizer um inocente “É...” só para ela embrulhar e eu ter o gostinho de rasgar tudo assim que chegar em casa.

Tem um pacote para você aqui embaixo
Quando eu era pequena, costumava ficar emburrada no cantinho cada vez que o carteiro passava em casa, porque ele nunca deixava correspondência alguma para mim, só para os meus pais. Agora que já cresci e esse negócio de mandar carta ficou velho, só recebo conta para pagar. Vez ou outra, porém, toca o interfone e a voz diz essa frase aí. E eu posso estar realmente esperando um pacote chegar, o que não faz desaparecer o brilhinho bobo nos meus olhos.

Vamos tomar sorvete?
Pode ser o sorvete Caramba do recipiente de plástico que guardo no congelador. Pode ser um picolé de limão devorado em segundos na calçada da padaria. Pode ser uma taça caprichada de sundae em alguma sorveteria chique. Pode ser uma casquinha de chocolate do McDonald´s. Quando alguém me convida para ingerir a massa congelada, cremosa e doce, me comporto como um cachorrinho que escuta do dono a frase “Vamos passear?”. Quando menos se espera, lá estou eu na porta esperando.

Seu apartamento parece de revista!
Há tempos que eu vivia sonhando em montar meu próprio apartamento. Tenho em mim um misto de decoradora com pedreira e designer que me faz ser atraída loucamente por latas de tinta, pincel, furadeiras e outros itens de bricolagem. Agora que tenho meu apartamento, e que o divido com uma outra pessoinha fã de estabelecimentos como C&C Casa e Construção e Leroy Merlin, haja novidades. Nossa casa está bem bonitinha, e me encho de orgulho quando as visitas reparam nos mínimos detalhes!

Imagine! Eu conheço o site há um tempão!
Poucas coisas no mundo conseguem me fazer mais feliz do que o Garotas. Às vezes sou até chata de tanto que eu me importo com ele, e de tanto que eu quero que nosso projeto dê certo, deslanche, seja lido, muito lido. Ultimamente temos mandado o link para pessoas que admiramos de uma forma ou de outra. E qual não está sendo nossa surpresa de ler a frase acima escrita por gente como Fernanda Takai, ou Marcelo Tas, ou Léo Jaime. É como músicas para nossos ouvidinhos!

Se a minha anja me disser uma dessas todos os dias, mando a diaba catar coquinhos.

Vivi Griswold às 08:51 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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