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O Ministério do Futuro da Nação O filme está prestes a começar. Produção boba, gente relaxada na platéia. Eu e meu namorido no meio deles – que ser bobo e relaxado é lema de vida para nós. Três pessoas de uma mesma família chegam na nossa fileira de poltronas, pisam nos meus pés e sentam bem ao lado. A partir daí perdi o humor e comecei a pensar... ter filhos devia ser uma ação envolvendo liberação do governo federal. Que os céus me livrem de estar sendo chata. Mas tem explicação. Imaginem vocês que, com a minha curiosidade mórbida/ falta de educação, passei a ouvir a conversa daquela família. A configuração da cena: mãe lá no canto, pai no meio, filho (cerca de 13 anos, cabeludo, camiseta de banda metal que acabou antes dele nascer) colado à minha cadeira. O moleque diz assim: “vamos ver ‘O Retorno do Rei’ de novo na semana que vem, pai?” O genitor responde: “nem a pau, é muito comprido e eu não entendi nada”. O garoto de novo: “mas se você ler o livro vai gostar mais”. O abominável senhor, fazendo voz de indignado: “eu não leio nem revista, muito menos livro.” É nessas horas que eu queria saber lançar aquelas estrelas afiadas dos ninjas... Como é permitido dizer um negócio desses para um menino em pleno crescimento e formação? Fico maquinando se o tal homem também ensina ao filho que mulher tem mesmo é que esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque e que subornar guarda de trânsito economiza mais bufunfa do que pagar multa – que isso é “coisa de otário”. Somando a esse episódio o que ando ouvindo por aí – de questões filosóficas a surpreendentes ensinamentos de biologia –, pensei que poderia ser melhor se o presi instituísse um novo ministério. Destinado, basicamente, a preservar crianças de um destino terrível! O Ministério do Futuro da Nação seria uma realidade interessante. Funcionaria assim: o sujeito conhece uma moça adorável, eles decidem casar. Quando chega a fase de ter bebês, a dupla dá início ao processo. Preenchem um formulário com perguntas simples (nessa etapa passa todo mundo que, questionado sobre o nome que dará ao petiz, não responda coisas como “Michael Jackson Ferreira de Aguiar” ou “Britney Spears Nogueira de Melo”). Superado esse lance, vão para a entrevista. Lá o ministro só teria que checar se os candidatos a pai serão capazes de ensinar um pequeno humano a não crescer feito idiota. Não é questão de ter faculdade ou dinheiro, longe disso! É questão de saber trilhar o caminho do bem. Assim: Pergunta1 Qual presente vai dar à criança no aniversário de 7 anos? Resposta Errada: Uma metralhadora de plástico com mira de luz. Pergunta 2 Levar no shopping sábado de tarde ou passear no horto domingo de manhã? Resposta Errada: Shopping no sábado. Eles se divertem na praça de jogos eletrônicos e deixam o papai em paz. Pergunta 3 CD da Eliana ajuda a acalmar ataques de birra? Resposta Errada: Ô se ajuda. E ela é tão fofa e afinada... Principalmente quando canta “Po-le-ga-res/ Po-le-ga-res/ Onde estão?/ Aqui estão!” Até eu paro pra ver! Claro que essa idéia é besta, inútil, totalmente desprovida de senso e completamente fora de propósito. Não dá para selecionar quem será um pai divertido e instrutivo e quem será uma máquina de reproduzir cretinices. Mas tem panorama ainda pior: já pensou se, um dia, o Ministério do Futuro da Nação é criado e regido pelo tonto que “não lê nem revista, muito menos livro”??? |
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