Existe por aí um palavrão cheio de consoantes que é familiar para muitas pessoas, apesar da maioria não reconhecê-lo: kitsch. Aparentemente sem tradução específica, o termo vem do alemão “verkitschen” que, ao pé da letra, quer dizer algo como “baratear” ou “tornar popular”. Nessa salada que é a cultura pop – onde tudo tem mais rótulo do que a seção de laticínios do supermercado – ser kitsch é ser brega e cafona. Simples assim. Ou não?
A coisa complica um pouco agora que o brega virou cult. Aposto que você tirava sarro daquele pingüim horroroso de porcelana que a sua avó mantinha em cima da geladeira, certo? Pois saiba que o mesmo item, colocado em uma casa moderna de hoje, é um toque de estilo e de personalidade. Veja bem: o pingüim continua o mesmo. O que mudou foi o olhar de alguns diante do que sempre foi um símbolo kitsch.
Culpa do resgate das décadas de 60 e 70. Culpa da tal onda retrô. Culpa dos brechós, das feiras de quinquilharias e dos colecionadores de bugigangas. Graças a todos eles, podemos ser mais livres e ostentar com orgulho um pingüim em nossa geladeira ou uma lava lamp em nosso criado-mudo. Isso porque todo mundo é um pouco kitsch. Você também, admita! Jogue seus preconceitos pela janela e sinta-se à vontade para adquirir alguns dos itens abaixo...
Toalhas de praia estampadas
Livre-se da canga e da esteira de palha! A moda praiana já era. O legal agora é ir para a praia ou piscina e estender aquela toalhona estampada e deitar-se nela com um triunfo no olhar. Se você conseguir a clássica em que aparece uma mulher de cabelo esvoaçante cuja metade do rosto é uma pantera, melhor ainda. Mas está valendo aquelas de coqueiro, arco-íris, cavalos e montanhas. Coisa fina.
Souvenires de viagem
Caneta com gôndola que “anda”. Torre Eiffel em miniatura. Um moletom do Hard Rock Café. Um cofre em forma de cabine telefônica vermelha. Quando você for viajar, não se reprima diante das barraquinhas e lojas para turistas. Os itens são altamente colecionáveis! E não precisa ser uma viagem ao exterior não – só o berimbau daquelas férias em Porto Seguro já está de bom tamanho.
Quadros que juntam ícones pop
Não sei se a Marilyn Monroe, o Elvis Presley e o James Dean já estiveram sentados lado a lado em uma lanchonete. Acho que não. Mas eu adoro aqueles quadros que colocam os três juntinhos, tomando refresco e dividindo uma porção de fritas. Aliás, qualquer coisa que leva a estampa da loira voluptuosa, do Rei do Rock e do galã que morreu cedo demais, juntos ou separados, é ultra kitch. E ultra bacana!
Bola de câmbio
Com apenas alguns itens aqui e ali, um automóvel pode se tornar um universo kitsch da mais alta qualidade. Basta uma bola de câmbio com o siri dentro e pronto! O toque está dado. Para os mais ousados, a dica é colocar dados de pelúcia no retrovisor, uma fita do Senhor do Bonfim amarrada na placa traseira e um assento de bolinhas de madeira, para “massagear” as costas no meio de um congestionamento.
Flor de plástico com orvalho
Não basta ser uma flor artificial – ela tem que passar a sensação de vida. Tirando o fato de ela ser morta, claro. As melhores flores no mercado são aquelas que já vêm com gotinhas de orvalho (na verdade, gotinhas feitas com a pistola de cola, isso sim). Se um dia você encontrar por aí umas que, além de tudo, acendem como pisca-pisca, agarre-se ao produto. E compre uma para mim também!
Anão de jardim
Existem uns malucos na França conhecidos como “Frente Libertadora dos Anões de Jardim”. Eles costumam roubar os pequenos seres de cerâmica e devolvê-los à floresta. Para você ver o quanto esse item é popular – alguns jardins possuem até os sete anões e a Branca de Neve, além de cogumelos e sapinhos com violão. Uma prova de que o kitsch também pode ser politicamente correto.
Árvore de pedra brasileira
Qualquer item feito de pedras brasileiras é o ó do borogodó, ou na linguagem kitsch, simplesmente o máximo. Aquele relógio de pedra, com ponteiros em números dourados, ou aquele conjunto de colherinhas com pedras nas extremidades são demais. Porém, nada se compara às árvores cujas folhas são pequeninas pedras. Tão bom quanto garrafas contendo desenhos com areia colorida.
Galos do tempo
Eu era fascinada pelo tal galo do tempo quando era criança e ele tinha lugar de destaque na estante da minha avó. Trate-se de um galo que vem em cima de uma madeirinha. Suas “penas” são aveludadas, e mudam de cor de acordo com o clima. Se ele estiver cinza, pode procurar o guarda-chuva antes de sair de casa. Se ele estiver azul, o tempo ficará claro e dará até para tomar sol na pracinha.
Cachorrinhos que dizem “sim”
Os chamados “nodding dolls” ou “bobble head dolls” viraram febre nos Estados Unidos e já chegaram por aqui. São bonecos cuja cabeça é bamba e, quando em movimento, ficam balançando para cima ou para baixo, como que dizendo “sim” constantemente. Meus favoritos são os cachorrinhos aveludados que motoristas costumam colocar olhando para o vidro traseiro do carro. Quanto mais buraco no asfalto, melhor!
Se alguém tirar sarro, diga que é moderno. Você não estará mentindo.

E eles se multiplicam!
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