sexta-feira, 9 de janeiro de 2004

Os nomes que a fama dá

Sabe quem é Carlos Irwin Estevez? Já ouviu falar na Cherilyn La Piere Sarkisian? E o Yorgos Kyriatou Panayiotou soa familiar? Sim, você conhece todos eles, leitor. Mas nem precisa forçar a cachola, porque cada um atende por outro apelidinho. Carlos virou Charlie Sheen, Cherilyn ficou sendo Cher e Yorgos, por incrível que pareça, ganha a vida como George Michael. Assim é a fama: além de dar muito dinheiro, carros, mansões, iates e amantes, obriga suas vítimas a adotarem o chamado “nome de guerra”.

O céu é o limite para a mente criativa desses integrantes da classe artística. Enquanto a maioria, para não arriscar, acaba apenas encurtando o nome completo para dois termos, outros piram na batatinha, escorregam na casca de banana, enfiam o pé na jaca e chutam o quiabo. Agora vamos parar com o papo hortifrutigranjeiro e ver como a nata das personalidades brasileiras preferiu ser chamada.

Mamãe que deu
Ô, ti bunitinho! Pelo visto, saudade da infância não é privilégio deste site que vos fala. Olha o senhor Augusto Liberato, que acha legal fazer fama nacionalmente como Gugu. E depois ainda quer ser levado a sério. Na mesma linha temos a apresentadora Xuxa, o jogador de vôlei Tande (Alexandre no idioma tati-bitati) e o cantor Lulu Santos (Luiz Maurício Pragana). E aqueles com inhos e inhas? Netinho, Peninha, Soninha... Bem fez o Jairzinho, que hoje assina como Jair Oliveira. Tá crescendo, o menino!

Filhotes de chocadeira
Ah, os órfãos... Deve ser muito triste não ter uma família, né? Pode perguntar para a Eliana, a Simone, o Leonardo, a Joana, o Daniel... Mas antes que você fique com pena deles, pense de novo. No fundo, é um baita complexo de superioridade: apesar de existirem milhares de Elianas e Leonardos no Brasil, só há um exemplar conhecido como A Eliana ou O Leonardo. Isso serve para toda essa cambada sem pai nem mãe, mas com um ego lá em cima. Se bem que Alcione só deve ter uma mesmo.

No mundo animal
Esses assistiam ao Discovery Channel muito antes da TV por assinatura sonhar em conquistar este país de terceiro mundo. Temos o digníssimo Falcão, tanto no futebol quanto na música-brega-porreta. Este último, nasceu no Ceará sob a alcunha de Marcondes Falcão Maia. Convenhamos que a ave de rapina chama mais atenção que Marcondes, hein? No mesmo estilo, há o Lobão e o Ovelha, que obviamente não podem se encontrar. Mas o prêmio “bichice”, em todos os sentidos, vai para Leão Lobo.

É bronca?
Quem teve a sorte de contar com um nome duplo pode explicar melhor que eu. Funciona assim: o João Henrique, por exemplo, é conhecido como Joãozinho e só ouve o nome inteiro quando a mãe quer puxar a orelha. Algo como “João Henrique, venha já aqui!”. Isso deve traumatizar um pouco a criança. Então me explica como o Paulo Ricardo, a Maria Paula, a Flávia Alessandra, o Marcelo Augusto, a Maria Zilda e o Roberto Carlos escolheram tais apelidos. Para lembrar dos castigos e das chineladas da infância?

Intelectual e conceitual
Poucos artistas possuem a perspicácia de entender que a escolha de um nome artístico é algo muito sério, pois o resultado vai persegui-los pelo resto da vida. Então, por que não escolher algo conceitual, intelectual e até transcendental? Assim, todo mundo vê como eles são inteligentes. Veja o Carlinhos Brown. Ele é negro e faz mistura de ritmos. Então resolveu mostrar isso no nome! Não é genial? Outros “gênios” são o Xis e o Afro X. O melhor, porém, é Gabriel, O Pensador. Pára o mundo que eu quero descer!

Conta outra
Pior do que as piadas do Ary Toledo no “Show de Calouros” são algumas alcunhas escolhidas por celebridades. Como, em sã consciência, alguém opta por ser conhecida como Flor? Tenha dó. E Latino? Pior é o Belo, que de belo não tem é nada – só se a base de comparação for o Tiririca (aliás, outro com um nominho daqueles). Mas nenhum ramo de atividade nos brinda com pérolas como o futebol. Vampeta e Wagner Love são só o começo. Ah, Cafú, você sabia que não se acentuam oxítonas terminadas em u?

Letras a mais
Agora é moda acrescentar letras nos nomes artísticos para trazer prosperidade, dizem por aí. O que tem de artista que marca consulta na numerologista... Lembra quando a Sandra de Sá era conhecida apenas por Sandra Sá? E a Marina Lima já foi Marina e já foi Marina de Lima. Jorge Ben hoje assina sua obra como Jorge Ben Jor. Até o baiano Xandy botou um “d” a mais e virou Xanddy. Como ficou bonito! Porém, note que todos eles não mais saborearam o gostinho do sucesso após a alteração. Estranho.

Gringolândia
Money is good, certo? Talvez seja pelo sonho de sentar em um sofá recheado de verdinhas norte-americanas que algumas personalidades resolveram internacionalizar o nome. Carlinhos Brown poderia estar nesta categoria, hand-in-hand com Syang, Kelly Key, Gretchen, Luka, Vivi Griswold (hã?) e Patrícia Marx, que já foi só Patrícia e decidiu fazer seu Marques mais, digamos, gringo. No balaio “cidadão do mundo” entram ainda as chacoalhantes Regininha Poltergeist e Rita Cadillac.

Pleonásticos
Pleonasmo é uma redundância de termos, como “subir para cima” e “sair para fora”. Só se pode subir se for para cima, e só se pode sair se for para fora, certo? Não se preocupe, porém, se você fugiu da aula de figuras de linguagem. Alguns artistas fizeram o mesmo, preferindo um trago na cantina às lições de gramática. É o caso de Zeca Pagodinho (o cara é pagodeiro, não precisava disso no nome), Renatinho da Bahia (que veio da... adivinha?) e Osvaldinho da Cuíca (fadado a nunca tocar outro instrumento).

Mesa branca
O famoso ator Aryclenes Venâncio Duarte fez história na teledramaturgia brasileira com personagens como Sinhozinho Malta e Sassá Mutema. Antes de você achar que há alguma coisa estranha na afirmação é bom saber que esse é o nome verdadeiro de Lima Duarte. Quando ele ouviu o chamado da carreira artística, pediu uma sugestão para sua mãe. Espírita, ela indicou o nome “Lima”, que era como costumava chamar seu espírito-guia. Taí o único caso comprovado de relação entre o Além e a novela das 8.

Vivi Griswold às 09:41 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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