segunda-feira, 5 de janeiro de 2004

Do macaco-rato ao demônio de fogo

Na bela Nova Zelândia, vive Lionel, um jovem com um complexo de Édipo mal-resolvido. Quando ele arruma uma namorada (que estranhamente se chama Paquita – lembre-se, estamos na Nova Zelândia), a mãe do moçoilo fica doida de ciúmes. Ela segue os dois até o zoológico, onde o casalzinho faz seu primeiro programa romântico. Lá, a velha é mordida pelo macaco-rato da Sumatra e, tchnãm!, vira um zumbi.

Se vocês pensam que isso saiu da minha mente doentia e pueril, estão muito enganados. Esse é o argumento de "Fome Animal" (Braindead), um dos primeiros longas de ninguém menos que... Peter Jackson. Sim, o mesmo Peter Jackson que hoje se encontra confortavelmente sentado por cima da carne seca em Hollywood, depois de ter comandado a transposição para as telas do épico literário "O Senhor dos Anéis".

Do macaco-rato da Sumatra, uma criatura toscamente animada em quadro-a-quadro, até o assustador Balrog, um demônio de fogo que enfrenta Gandalf na primeira e segunda partes da trilogia, podemos contar uma evolução e tanto. Não de talento, que o senhor Jackson já mostrava de sobra desde o excelente (e trash) "Fome Animal", mas de grana investida em suas produções.

Com a conclusão da trilogia "O Senhor dos Anéis", Jackson foi ovacionado por público e crítica. E olha que o homem merece. O último filme da saga, "O Retorno do Rei", não decepcionou os fãs do livro nem o público que jamais tocou num volume sequer das brochuras de Tolkien.

Bom, eu gostei. Embora seja o tipo de filme ao qual você vai não para saber o que acontece – afinal, se você esteve minimamente atento à história, já sabe quem é o tal rei e, ligando isso ao título, já sabe que o dito cujo vai retornar, o que significa que a Sociedade do Anel vai triunfar. O grande ponto é saber como a gang do Um Anel fará o serviço, e com que imagens sêo Jackson vai contar essa fábula.

O mais legal é que Frodo, depois de cumprir sua missão, deveria deixar de ter aquela cara de estagiário e fazer parte da presidência – inclusive colando um daqueles adesivos escrito "Só diretoria" se ele tiver um Opalão para passear pela Terra Média. Mas cheguei à conclusão de que o pobre hobbit nasceu assim mesmo, com a expressão de susto constante. Faça um bom emprego de sua graninha e corra até o cinema mais próximo para ver. Depois, você me diz se Frodo não continua com aquela cara de estudante que acaba de participar de uma dinâmica para conseguir um estágio, com direito a vale-transporte, ticket refeição e seguro de vida. Mas sem plano de saúde. Isso é só para os registrados.

hobbitfrodo.jpg
Alguém tem de fazer o serviço sujo...
Clara McFly às 06:39 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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