quarta-feira, 31 de dezembro de 2003

Meu rankingzinho

Ah, a infância... Tudo bem, não faz tanto tempo que saí dela (afinal não tenho nem 20 anos ainda), e talvez por isso mesmo vocês não se encantem tanto quanto eu quando lembrarem dos itens dessa lista. Mas, de qualquer forma, eu fiz a minha, das coisas que eu sinto mais falta...

Provavelmente vai ficar meio limitada à tchurminha que viveu o auge da infância nos anos 90. Se fosse só isso, beleza. Mas eu fui uma garotinha daquele tipo insuportável, toda “menininha” mesmo. Então, além de tudo, minha lista está bem femininazinha. Mas apesar disso e do meu egoísmo, o ranking limitado fica mais genuíno, digamos assim.

Tenho que admitir que não foi nada fácil construir essa lista. Afinal, escolher apenas 10 itens e ainda por cima ter que colocá-los numa hierarquia é um crime. Talvez, depois de enviar, eu me lembre de alguma outra parte indispensável da minha infância. Mas como o tempo urge, e eu já levei um certo tempo elaborando esse ranking, seja o que Deus quiser.

10) Papel de Carta
Essa foi uma febre entre as meninas. Era uma coleção hiper meiga, e totalmente diferente dos costumes masculinos. Porque embora as figurinhas “Amar é...” tenham sido um clássico, na minha época já nem existiam, e por isso não cultivei o hábito de ir a bancas de jornal. Já o papel de carta... Qualquer ida a uma papelaria já era desculpa. Eu tinha aos montes, todos organizos por tema, tamanho, uma frescura só. E todas as colecionadoras tinham o belo costume de carregar a “pastinha” pra lá e pra cá – primeiro pra mostrar os filhotes, e aproveitando a exibição, trocar os repetidos.

9) Chiquinha Pakalolo
Como já disse, fui uma menininha bem “Little Princess” mesmo. Por isso, a vaidade era meu forte. E a cafonice também. Tinha coisa mais brega do que aquelas maria chiquinhas gigantes, que embora sempre combinassem com a roupitcha, eram uns horrores? Pois é...Tive várias desse tipo. E não bastava ter as tais chiquinhas. Elas tinham grife (sim, o capitalismo impera desde cedo). Tinha que ser da Pakalolo. Um luuuuuxo!

8) Pulseirinhas de corda de violão
Seguindo as tendências do mundinho fashion, quem não quis ter uma coleção de pulseirinhas de corda de violão?? Eu tinha uma quantidade enorme, claro. Ganhava um pacotinho toda semana, minha vó é um anjo. No auge da febre, as meninas, inclusive eu, chegavam a ter pulseiras até mais da metade do antebraço. E a Chiquinha Pakalolo no outro pulso, claro!

7) Patins de prender no tênis
Tenho que ser honesta: nunca tive um desses. Acho que foi o trauma do desejo reprimido que me fez guardar o tal brinquedo assassino na memória. E por isso ele está aqui no meu ranking. Minha mãe tinha razão: o negócio era meio ameaçador, não era nenhum poço de segurança pros meus dentinhos de leite. Afinal, aquelas tiras não davam firmeza nenhuma (eu experimentei escondido). as quem disse que uma criança não tem direito a uma dose de adrenalina?

6) Questionário
Como eu adorava esses questionários! Era uma ótima oportunidade de contar tudo aquilo que a gente esconde de todo mundo, mas secretamente quer que todo mundo saiba! Uma espécie de Jogo da Verdade antes da puberdade... Uma beleza! O melhor era ficar morrendo de vergonha depois de responder a tal pergunta: “de quem você gosta?”

5) Vestido Trapézio
Outro clássico da cômoda de qualquer menininha que reinou no início dos anos 90. Era uma belezura: bermuda de cotton até o joelho, geralmente colorida (a minha era vermelha), e uma blusinha em forma de trapézio (daí o nome), geralmente branca, com bolinhas da cor da bermuda. Além de disfarçar culotes, era o traje perfeito para qualquer lambada de Beto Barbosa!

4) Bolinha de Sabão
Não contei ainda, mas sou estudante de Publicidade. E como não poderia deixar de ser, fui vítima das armas da Propaganda, principalmente dos jingles. Embora a musiquinha da “Pipoca com Guaraná” tenha sido um marco, a que mais me deixou saudade foi a do comercial da Bolinha de Sabão. Afinal, eu fazia parte de público-alvo, ora bolas! Pra quem não lembra, lá vai: “Sentada na calçada de canudo e canequinha, tchubléc, tchublim... fazendo uma bolinha... Tchubléc, tchubléc...”

3) Bate-Enrola
Uma régua de bater no braço, que enrolava como uma pulseira... Quanta utilidade! O legal é que ela geralmente perdia a mobilidade antes de perder a graça. Acho que aí é que está o segredo do sucesso dessa peça – que só não consegue ser mais divertido e inútil do que o Fluf, aquela bola de fios de borracha... Êta infância criativa!

2) Estojo Paraguaio
O único vício que superava a vaidade das menininhas que esperneavam pra ter chiquinhas coloridas e botinhas da Xuxa era a paixão por papelaria. E nada melhor do que um estojo que reunisse tudo e mais um pouco, para onde quiséssemos levar! Essa era a vantagem do estojo paraguaio, que tinha durex que não colava direito, tesoura que não cortava nem água, giz de cera, lápis de cor, tinta aquarela e mais um monte de coisas inúteis que ninguém sabia pra que serviam (mas que todo mundo queria ter). E o mais importante de tudo: tinha que ser paraguaio, senão não era o original.

1) Desenhos animados
Tudo bem que o Bob Esponja e as Meninas Super Poderosas são o máximo. Mas existe coisa melhor do que o Pica-Pau? Ou Caverna do Dragão? E o Cavalo de Fogo (“Foi quando correndo eu vi/ Um cavalo de fogo ali/ Que tocou meu coração quando me disse então que um dia rainha eu seria”)? Mas meu preferido era o dos Ursinhos Carinhosos. E digam o que quiserem, mas essas melações eram bem melhores do que os Teletubbies. Bem, é hora de dar tchau!

Por Renata

às 01:12 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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