sexta-feira, 26 de dezembro de 2003

Eu sou café-com-leite

Quem ouviu (e falou) essa frase, durante a infância, provavelmente viveu nos anos 80. Não creio que as crianças ainda digam isso hoje (mesmo porque seria preocupante para os pais se um moleque, enquanto joga algo em seu PC, gritasse inconformado: "Eu sou café-com-leite! Parei de brincar!").

Além de frases assim, ou do clássico "Quem quer brincar põe o dedo aqui...", dezenas de outras coisas povoaram a minha infância. Entre elas, está...

... slides
Alguém mais tem slide? Nunca ouço ninguém comentar... Para quem não conhece, eram umas pecinhas plásticas com desenhos, que se colocava num projetor (mandei bem na explicação!). Os legais mesmo não eram os de família, mas aqueles com historinhas, como "O Patinho Feio". Talvez alguém tenha tido uma versão mais "moderna", que era uma televisãozinha, você ia apertando um botão e a história ia passando.

... Chaves
Acho difícil que Chaves não esteja numa lista Top 10 de qualquer pessoa com mais de 15 anos. E é impressionante como os episódios conseguem ser engraçados até hoje. Você já começa a rir antes da piada terminar, porque já sabe o final. Infelizmente o SBT edita os capítulos pra encaixar programas no horário certo. Sinceramente, alguém prefere assistir à Sônia Abrão?

... xampu do Bozo
Eu não lembrava disso. Até que um dia, enquanto passava pela seção de cosméticos e afins em um supermercado, um amigo me disse: "Você lembra do xampu do Bozo?". Não precisei nem parar para puxar aquilo na minha memória. Mal ele terminou a frase, me lembrei perfeitamente e disse: "Pô, eu lembro! A cabeça era a tampa, né?". Acho que tinha mais alguns modelos, um do Jaspion ou algum outro herói japonês, mas o do Bozo era meu preferido.

... Atari
Eu me lembro que, quando criança, era o único da rua que tinha Atari. Aí, já sabe: a pivetada toda se reunia na minha casa pra ficar jogando. Os joysticks ficavam uma porcaria depois de jogar aqueles joguinhos de Olimpíadas (Lembra? tinha que ficar empurrando aquela alavanca pra esquerda e pra direita o mais rápido possível e encher o botãozinho vermelho de porrada, na mesma velocidade). Ei, era só por isso vinha todo mundo pra minha casa? Ô povo interesseiro...

... revista MAD
A "viagem" à banca de jornais era uma das coisas mais divertidas da infância. E junto com minha compra básica da Turma da Mônica e de 500 tipos diferentes de figurinhas, sempre trazia também uns exemplares da MAD. Provavelmente eu não entendia metade das piadas, mas não abria mão de comprar. Depois a revista ficou colorida e chata, e nem sei se continua existindo.

... WAR
Eu não jogava WAR há uns 8 anos (esse foi um daqueles jogos que eu não tinha, só jogava dos outros). Mas, há algumas semanas atrás, descobri que uma amiga minha conservou um exemplar (quase) intacto desde a infância. Ela não teve mais sossego: todo santo dia, lá ia eu e mais dois amigos jogar na casa dela. Tá, agora a gente deu sossego.

... merthiolate
Não é masoquismo, mas simplesmente não dá pra conceber um merthiolate que não arda. Era tão legal, você levava aquele tombo, ralava o joelho, e lá vinha sua mãe com o vidrinho. Dava aquele ardor psicológico só de ver o dito cujo – e depois tinha que ficar soprando até parar de arder. Para mim, até hoje, a lógica é essa: arde porque está fazendo efeito. Se for pra passar algo que não arde, passo água.

... o beijo do "Xou da Xuxa"
Não, não gostava da Xuxa. Aliás, alguém (além da mãe dela) gosta dessa mulher? O que eu achava legal mesmo no programa dela era aquela frase que toda criança usava: "Quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e especialmente pra você!". O legal disso é que nenhuma criança conseguia falar o tal do "especialmente", sempre saía algo enrolado ("isquicialmente", "is-ciamente")... afinal, por que toda criança dizia a mesma frase?

... coleção Vaga-Lume
Não dá pra negar: O Marcos Rey é foda (pode escrever "foda"?). Na quarta série, a tia pedia para a gente ler alguns livros dele (bom, ela "mandava", pois quem não lesse não ganhava ponto), e até hoje ainda guardo exemplares conservados – graças ao hábito da minha família de nunca jogar nada fora. Inclusive, observando agora, estou lendo "Pertence a: Valéria de Freitas Dutra" na contracapa de um deles... Pô, meu nome é Fernando!

... o cara que anuncia filmes da Sessão da Tarde
Aposto que ninguém entendeu essa, mas eu explico: quando escuto os anúncios dos filmes da Sessão da Tarde, é como se eu estivesse voltando no tempo uns 15 anos, devido ao linguajar característico desse meu ídolo que nunca vi: "Uma galera muito louca se metendo em altas confusões!"; "Vai rolar muita azaração com essa turma do barulho!"... isso sem contar os trocadilhos "pra cachorro" (quando é um filme que fala sobre o bichinho citado), ou "da pesada" (quando os personagens estão acima do peso). O cara é mesmo muito bom.

Por Fernando

às 05:37 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold