quinta-feira, 25 de dezembro de 2003

O que você vai ser quando você crescer?

Que a infância é o melhor período da vida de muita gente ninguém pode negar. Nesta época podíamos ser quem quiséssemos – pelo menos na nossa cabecinha. Mas aí a gente cresce e tem que decidir o que quer ser quando crescer. Oh que dilema! Porém, algumas das nossas experiências pueris podem nos ajudar, pelo menos, a descobrir coisas para as quais não temos o menor talento.

Baseada em alguns dos meus micos infantis, fiz uma lista das profissões que eu não poderia seguir de jeito nenhum:

1) Oradora
Até os meus seis aninhos eu tive complexo de Cebolinha, ou seja, trocava o erre pelo ele. Algumas pessoas achavam bonitinho, especialmente mamãe e vovó. Pena que meus amigos da primeira série não pensavam assim: TODOS faziam chacota de mim (e vocês sabem como crianças podem ser cruéis). Resultado: tratamento com fonoaudiólogo e um medo danado de falar em público que dura até hoje.

2) Espiã
Ainda na primeira série, quando tive minha primeira prova, tentei colar do garotinho mais inteligente da turma. Como eu era uma criança nada discreta, a professora percebeu, tomou minha prova e a sala toda riu da minha cara novamente. Resultado: castigo na escola e castigo em casa. Após o trauma, ainda por cima, virei uma baita de uma CDF para nunca mais precisar colar.

3) Pintora
Foi na segunda série. Durante a aula de educação artística, a professora deu um desenho de um cacho de uvas para a gente pintar. Como eu não tinha lápis roxo pintei minhas uvinhas de azul! Dessa vez, não só os outros alunos, mas também a professora riram da minha cara. Resultado: o mundo pode ter perdido uma grande artista naquele dia.

4) Cozinheira
Como toda menina, adorava brincar de comidinha. Só que eu fazia comidinha com plantas (e às vezes, até bichinhos) que eu encontrava no quintal. Uma vez, fiz uma gororoba com umas plantas que ficou tão real que eu decidi comer! Resultado: contrações no estômago, ânsias, tonturas...

5) Bailarina
Na quarta série resolvi participar da quadrilha. Durante um dos ensaios, meu par faltou, e eu tive que ensaiar com a professora. Qual não foi a minha surpresa quando ela falou em alto e bom tom para todo mundo ouvir: “Menina, você é muito dura. Parece um robô dançando”. Óbvio que depois disso eu sumi dos ensaios. Resultado: ganhei o apelido de Robô, e odeio festa junina.

6) Astrônoma
Numa noite estrelada lá pelos meus 6 anos, fiquei olhando para o céu com o meu pai. Então ele disse como seria legal se aparecesse uma estrela cadente. Perguntei o que era isso, e ele respondeu que era “uma estrela que anda”. Saí correndo desesperada para dentro de casa, imaginando a estrela correndo atrás de mim. Resultado: passeios noturnos, só arrastada.

7) Farmacêutica
Aos cinco anos eu tinha uma amiguinha cujos pais eram donos de um bar (desses que vendem de tudo), e às vezes íamos até lá escondidas pegar guloseimas. Uma vez encontramos umas balinhas rosas que desmanchavam na boca, uma delícia... Pegamos a caixa inteira. Mais tarde, fomos encontradas dormindo e com várias embalagens abertas de Melhoral infantil. Resultado: até os quinze anos mais ou menos, minha mãe não me deixava chegar perto da caixa de remédios.

8) Veterinária
Sabe aquele pessoal que trocava garrafas por pintinhos? Pois é. Mamãe pegou dois deles para mim. Só que eu nunca levei jeito para a coisa. O primeiro, depois de um dia inteiro no quintal, ficou imundo e eu resolvi lavá-lo – enfiei o pobre no tanque cheio de água. Já o segundo... Cismei que ele podia voar e o atirei ao ar várias vezes. Resultado: por mais que eu pedisse, mamãe nunca me deu um bichinho de estimação.

9) Freira
Fiz o catecismo direitinho aos nove anos. Logo depois veio o cursinho para a crisma. Nessa fase, tinha muitas dúvidas do tipo “Por que a igreja não usa todo o dinheiro que tem para ajudar aos pobres?” e não hesitava em perguntá-las na frente dos outros alunos. E também achava um porre ter que ajudar a preparar a missa... Não demorou muito para que a me convidassem a desistir da crisma – eu nunca contei isso para minha mãe. Resultado: Será que eu vou arder no mármore do inferno?

10) Jornalista
Durante o ginásio, uma professora me indicou para escrever uma coluna no jornal da escola. Na época eu tinha treze anos, mas já tinha consciência política e era um pouco rebelde também. Escrevi alguns artigos politizados e de protesto, o que foi muito para as cabecinhas do pessoal da escola. Trocaram meus artigos pela sessão de horóscopo, que a garota mais burra e popular da escola copiava descaradamente das revistas. Resultado: fiquei traumatizada com o ocorrido e nunca mais escrevi qualquer coisa, a não ser as redações da escola. Só agora, anos mais tarde, tomei coragem e venci meu trauma para participar do concurso do Garotas. Espero não me decepcionar novamente...

Por Carla

às 09:46 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold