Não há coisa mais engraçada do que pegar, passando na tv, aquele desenho animado que o sujeito ama. Para mim, é gargalhada certa ver o do Pica-Pau com o barril nas cataratas, aquele em que o Pernalonga é perseguido por um monstro peludo laranja de tênis, qualquer um em que o bico do Patolino caia ou vá parar na nuca. Por outro lado... existem desenhos que deveriam vir acompanhados de um Prozac, não?
Quando eu era menininha, estas cinco tragédias abaixo torturavam o meu imaginário – e, tenho certeza absoluta, também o de um monte de pirralhos pelo planeta. Poxa: para qualquer criança com um mínimo de sensibilidade, ver heróis singelos serem maltratados, zoados ou privados de seus direitos de desenho era uma tristeza sem fim.
E, nos casos seguintes, às vezes acontecia até coisa pior. Passa o lenço e um copo d’água com açúcar, por gentileza?
“Snoopy”
A parcela que envolvia o cãozinho Beagle propriamente dito ou o Woodstock era de ótimo humor e muita fofura. Mas e o pobre Charlie Brown?? Só quem já foi muito Minduim nessa vida, como eu, é capaz de entender o que tolerava aquele garotinho careca. Todos ganhavam presentes, ele ganhava uma pedra. Era achincalhado por colegas como a esnobenta Lucy e até pela irmã mais nova. Que puxa...
“Heidi”
Lembram dessa? Heidi era uma órfã que, conduzida pela tia chata, é deixada nos Alpes austríacos para morar com o vovô rabugento. Ela vivia no sótão e só tinha como amigo um garoto vizinho e as ovelhas. Quando finalmente o vô ficou bonzinho com a Heidi, a tia voltou e levou a menina pra morar na casa de um senhor bem mala, uma garota paralítica e uma governanta perversa. A Heidi podia bem ter virado uma serial killer, diz aí.
“Gasparzinho”
Quem acha a história desse fantasminha viadinho bacana só pode ter perdido o senso. A alminha penada não consegue ter uma maldita relação social – e meio mundo sai gritando só de botar os olhos no pobre. Parece até que ele é uma aberração sangrenta, e não uma criança cabeçuda (morta, é verdade, mas deixa pra lá...). Daí entra a música melancólica e o Gasparzinho flana pela terra dizendo “eu só queria ter um amigo...”. E eu queria ter o telefone do criador desse desenho!
“Marco”
Esse desenho tinha o mesmo estilo “modo de vida loucamente sofredor” da Heidi. Marco era um garotinho que separa-se da querida mamãe quando essa vai trabalhar num país distante. Mas ele não se conforma, e sai percorrendo mundo afora em busca de sua doce genitora. Montado num burro. Sem dinheiro. Sem ajuda. E à mercê de bandidos e exploradores de menores. Mantenha as giletes trancadas se um dia topar com um episódio de “Marco”.
“Pinóquio” (o japonês)
Obra máxima e suprema do terror e depressão animados. O Pinóquio, em si, já é um conto bem tristonho, certo? Tem aquele papo dele não ser humano e virar chacota na escola. Mas essa versão japonesa criada nos anos 80 superou os limites. Para quem não lembra, teve um episódio em que o Pinóquio, num ato insano, tenta esfaquear um menino porque queria afanar o coração dele. Em outro (acho que o último), ele leva uma saraivada de tiros que lhe acertam o pescoço e causam a perda da cabeça. Se desenho tivesse censura, esse seria só para maiores de 45 anos...
O Gepeto bem podia ter feito um criado-mudo...
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Mas como nem tudo é morte, tristeza e desespero...
... e a vida ainda é bela, temos uma novidade! Pra não repetir palavras e ser mais monótona que a vida social do Gasparzinho, não vou dizer tudo de novo. Basta clicar aqui e receber o recado que Vivi deu hoje cedo sobre nossa Promoção de Natal – e as Fantásticas Férias Muito Loucas do Garotas. Somos ou não somos cheias de artimanhas?