sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Viagem ao século passado

O que são vários pontinhos rodeando um que está cheio de batom na cara e papéis na cabeça, gritando nomes estranhos e agindo de maneira mais ainda, reunidos num quintal? Simples: um chá de cozinha – e daqueles tradicionalíssimos, santa!

Eu sou a maior simpatizante da Mirtes que existe nesse lado do Atlântico. Tenho até uns traços da personalidade "mãezona de subúrbio" dela. Mas percebi que a minha porção Mirtes fica no chinelo perto do grupo que encontrei nesse ritual humano do mais bizarro.

Quando me casei, há poucos meses, fiz sim um chá. Mas chamei todos meus amigos realmente próximos, meninos e meninas, para uma reunião. O plano era que quem realmente se importava com o fato de eu estar montando uma casa trouxesse um presentinho, comesse uns petiscos e falasse umas bobagens - e só.

Mas minha futura afilhada de casamento (existe esse termo? Bom, a partir de agora, sim) decidiu-se por um chá daqueles que, à época em que organizei o meu, classifiquei como sendo do século passado. Retrasado, aliás.

A experiência só não foi traumatizante porque eu já sou crescida e sei segurar o choro. Mas é duro passar por séculos de luta pela equivalência entre os sexos, pelo direito ao voto e à educação, pela experiência de responsabilidade e independência de trabalhar fora, para terminar numa cerimônia com mulheres que querem que você use uma calcinha por cima da roupa (?), amarre um barbante na cintura com uma caneta pendurada e acerte a danada numa garrafa (?!) ou enfie a cara na farinha e procure uma aliança com a língua (?!!). Eu, hein!

(Ok, nem precisa ter passado por anos e anos de luta pela liberação feminina. Fazer qualquer uma dessa coisas é um mico enorme, tremendo, fabuloso de qualquer jeito.)

De qualquer maneira, Flá cantou a bola bem: grupos compostos por apenas um sexo têm uma tendência impressionante a reduzir o escopo de seus assuntos. Reuniões muito grandes de mulheres geralmente não falam de outra coisa senão receitas, filhos e cuidados com o corpo. Só meninos mantêm o papo entre futebol e putaria. Não tenho nada contra nenhum dos assuntos acima, mas falar tão-somente disso ou daquilo me cansa rapidinho.

Concordo com a morena do Ni em gênero, número e grau e ofereço uma explicação para o fenômeno: hormônios e cultura. A fisiologia e a criação de meninos e meninas é diferente – sempre foi, sempre será. Por isso, sou sempre a favor da mistura (inclusive a de banheiros. Ok, nem tanto).

Pobre da futura noiva, que teve de fazer tudo o que descrevi aí em cima e um pouco mais. Mas justiça seja feita: pelo menos, ela ganhou um mundaréu de apetrechos domésticos. Resta saber o que fazer com tudo aquilo. Mas para o tamanho do mico, compensou.

* * * * * *

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Certo. Eu vou falar bem claro e e devagar. Acompanhe: você tem cerca de sete horas, a partir de agora, para participar da fabulosa Promoção de Natal do Garotas! Valem os textos recebidos até a meia-noite de hoje. Por isso, feche os olhos, pense na sua infância querida, liste dez coisas bacanas relativas a ela e mande ver! O prêmio? Sabe Playmobil? Sabe Coleção Vaga-Lume? Então… clica aqui para mais detalhes!

Clara McFly às 05:00 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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