|
||||||||||
|
||||||||||
Chamamento em dose dupla Eu vivo uma mentira há muitos anos. Horrível escancarar isso assim, em público, mas já não consigo esconder. O fato é que, mesmo negando desde a mais tenra meninice e fazendo cara de desdém quando o assunto surge, preciso revelar de uma vez por todas: eu adoraria ter nome duplo! Sempre fui garota resumida assim, em um nome e um sobrenome. Meus pais não quiseram embananar minha cabeça com um nome de cinco fases, como daqueles príncipes portugueses. Mas o meu irmão ganhou a honraria de Luiz Ricardo – o primeiro ele herdou do meu pai, o segundo a minha mãe gostava. Nem eu, nem minha irmã tivemos essa deferência. Para compensar, mamãe inventava combinações de mentirinha: “Silvia Maria, recolhe essas roupas!”; “Flávia Aurélia, vem aqui!”. Mas não dava pra levar a sério nem o chamamento, nem a bronca. Droga, eu não chamo Flávia Aurélia ou Flávia Eugênia ou Flávia Antônia, como ela brincava! Um nome duplo, para impor respeito, precisa ser de verdade! Como o da Clarinha. Vocês não sabem? Ela se chama Clarissa... não, melhor manter segredo. Gente de nome duplo é sensível sobre isso. Provavelmente por causa de pessoas como eu, que sempre zoaram o fato. Meus primos, por exemplo. Apesar de fingir todo esse tempo que nomes duplos são um exagero, eu sempre quis loucamente ter a sorte deles. Fabrício Lourenço, Graziela Maira e Giuliano Carlo. É assim que se chamam as peças. Não tinha coisa melhor que ver minha tia se esgoelar pela porta dizendo “Graziela Maira, pára de rir tanto que vai dar falta de ar!”. Acontece que muita gente acha esse papo de nome duplo um horror – principalmente quando a combinação soa bizarra ou quando se é o dono do nome (bizarro). Uma amiga da minha irmã botou na filha o nome de Fabiane Beatriz. Putz! Imagina essa pobre na escola, quando os amigos descobrirem tudo... Ah, mas depois a época de colégio acaba e sobra um nome divertido para carregar pela vida toda. Não? Tem também o caso clássico de duas moças que viviam perto da casa da minha avó. Conta a lenda que, num arroubo de criatividade, a mãe delas nomeou as gêmeas de Teresa Ivonete e Ivone Teresete. Isso não é nome, gente, é uma piada sem fim! Faltou assunto na mesa do jantar? Bom, é só lembrar que as gêmeas se chamam... nossa, como o assunto rende. Os americanos têm essa mania de botar nome do meio em tudo o que é filho. A gente devia começar a instituir o mesmo por aqui, só para ficar mais engraçado. E quanto mais desajustada a união dos nomes, melhor. Uma tia da minha mãe fez isso. Gerou sete filhos, todos de nomes duplos como Régis Fernando, Silvio Eduardo e Carlos Frederico. Ô inveja... Só resta mais uma coisa: pedir desculpas pelos anos de esculhambação aos meus amigos Paulo Rogério, Veridiana Cristina, Cássia Regina, Tércio Roberto, Maria Eugênia, Marcelo Diego, André Fabiano e até à Clarissa... deixa pra lá. Se quiserem, podem me chamar de Flávia Helena daqui por diante. Mesmo sendo de mentira, já não é segredo que eu ia ficar feliz. Ainda não mandou seu texto para a nossa estonteante Promoção de Natal, Arlindo Valter? Tá aí pensando "elas já devem ter um vencedor, agora é tarde"? Bobagem, Pâmela Suzana! Ontem mesmo pintou aqui um artigo muuuuito bom. Imagina se o autor tivesse sido pessimistinha como você!? Então vai, César Augusto: clique aqui, informe-se bem e bote a cachola para funcionar. Vai, que até meia-noite ainda é tempo, Celeste Catarina! |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||