sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Alexander, o Pequeno

Você conhece Alexander (para nós, latinos, Alexandre), o Grande? Pelo menos já deve ter ouvido falar no moço nascido em 356 a.C. lá na Macedônia que, antes mesmo de assoprar 30 velinhas, liderou uma gigantesca campanha militar e tomou conta de metade do mundo daquele lado do Atlântico. Pois agora eu lhe apresento Alexander, o Pequeno. Ele ainda não conquistou terra alguma – a não ser o jardim –, e esperamos que a única arma em suas mãos seja um revólver de água.

Alexander, o Pequeno é, como o próprio título já diz, pequeno. Na verdade, sua idade pode ser contada somente com quatro dedinhos rechonchudos, como adora mostrar. Igual ao seu xará, ele também nasceu do outro lado do oceano. Em Londres, mas precisamente. Filhote do meu tio querido, brasileiro, e da mulher dele, mexicana com sobrenome escocês. Nas veias do bracinho branquela corre sangue de uns sete povos diferentes, incluindo nicaraguenses e portugueses.

Trocando em miúdos, Alexander – que não gosta de ser chamado de Alê – é um inglesinho que, logicamente, fala inglês. E espanhol. E português. E como fala, aquela matraca! Apesar da pouca idade (ou vai ver, por causa dela), é fluente nas três línguas e passeia de uma para outra com a mesma facilidade com que se joga no sofá para assistir a um desenho do Tom & Jerry.

Apesar de não ser tão conhecido quanto o outro Alexander (mesmo já tendo invadido até Pompéia, nas férias), sua fama já está se espalhando – graças à prima ultra-coruja aqui. Pena que eu mesma o vi tão poucas vezes. Na última, fomos até o Parque da Mônica. Precisa dizer que me diverti horrores com o pequeno? Até na piscina de bolinhas eu entrei.

Depois, fomos na loja que vende aquelas balinhas de gelatina (ou “gomitas”, segundo Alexander, o mexicano) e enchemos o saquinho de celofane com diversos tipos. Uma delas, porém, era um golfinho (ou “dolphin”, segundo Alexander, o inglês). O garotinho teve pena de comê-lo e ficou segurando a bala na mão durante toda a viagem de trem, mostrando-lhe a paisagem. Quando dizíamos “Come logo essa gomita, Alexander!”, ele fazia uma voz fininha dizendo “I´m a dolphin, please don´t eat me!”.

A cada dia recebemos ligações do que eu costumo chamar de “disk-Alexander”. Todas as peripécias, pérolas e novas palavrinhas viajam quilômetros e quilômetros até chegarem deste lado da família. Soubemos que, por exemplo, ele estava com uma virose. O médico explicou para ele a necessidade de tomar bastante água e fazer xixi com freqüência, para expulsar os bichinhos.

Pois bem. Lá estava Alexander brincando, quando minha tia disse para ele que há quatro horas ela não o via ir ao banheiro. “Os bichinhos estão fazendo uma festa dentro de você”, falou. Ele levantou-se rápido e respondeu “Xi, melhor eu ir logo antes que eles quebrem a piñata” – na cabecinha 1/3 mexicana, toda festa tem que ter uma. Mesmo a dos bichinhos microscópicos.

As últimas notícias foram da festinha da escola católica que Alexander freqüenta. Ele ia participar da peça como um dos três reis magos. Estava emburradíssimo, porque seria o último a dar o presente ao “baby Jesus”. Não se conformava, ainda, com o fato de não poder usar uma capa vermelha para compor seu personagem.

É triste saber que, quando nos falamos por telefone, talvez Alexander não se lembre ao certo quem é essa prima aqui. Mas eu sei bem quem ele é. E agora você também sabe um pouquinho sobre essa figura ímpar da História. Pelo menos, da nossa história.

alexander.jpg
Alexander e seu troféu de
"o mais simpático" da festinha


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Vivi Griswold às 09:09 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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