quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

O hetero na berlinda

Domingo à noite sempre envolveu ações muito específicas. Para mim, algumas delas eram assistir ao Fantástico, comer tostex de queijo com presunto e tomate, passar na casa da vó e pensar com depressão sobre a segunda-feira se aproximando. Até cinco gays aparecerem para me fazer chorar de rir rolando pela cama. Ok, isso ficou estranho... melhor explicar quem são os “Fab Five”.

Esses cinco “moços” são os apresentadores pirados do meu novo programa predileto na tv a cabo. Chama-se “Queer Eye For The Straight Guy”, anote aí. Aproveita e escreve ao lado: domingo, 21 horas, canal Sony. Pelamordedeus, esquece Pedro Bial e Glória Maria! É preciso passar por esse show ao menos uma vez na vida.

Os cinco fabulosos que empregam seu “olhar diferente sobre um cara hetero” são figuras ímpares. Jay (cultura), Thom (decoração), Kyan (beleza), Ted (gastronomia) e Carson (moda) formam um grupo tão classudo quanto afetado. No programa, as estrelas se propõem a transformar um ser das cavernas em gente. Mas esse é um processo que não vai sair barato.

Em geral, pega-se para Cristo um tipo que guarda comida sob o sofá, não lava as próprias cuecas e deixa acumular lodo desde a pia da cozinha até o meio dos dedos do pé. Juro: eu sempre soube que existiam homens-porcos no mundo. Só não imaginava que isso podia chegar a conseqüências tão podres e revoltantes.

O show tem uma hora, mas eles passam um dia todo com o macho aprisionado. O primeiro passo é tirá-lo de casa para consertar o desastre nuclear que se abateu sobre a residência. Enquanto o homem vai às compras com Carson (a louca-mor e mais divertida) ou aprende com Kyan a fazer a própria higiene num salão de beleza, Thom, Jay e Ted eliminam porcarias de toda sorte e dão um tapa na moradia. Normalmente isso envolve muita cândida e pintura de parede. Daí por diante, é fazer do “projeto de gente” um tipo interessante.

Ver caras comuns serem desancados e atacados por cinco bibas é uma das coisas mais hilárias que a tv já apresentou. Não fica repetitivo como aqueles programas onde alguém é selecionado para ganhar roupa nova e um penteado decente! Os Fab Five fuçam a casa inteira do cidadão, fazem os comentários mais embaraçosos na frente da câmera e ainda acham tempo para obrigar o hetero lhes dar abraços e beijinhos. Mas tudo na base do carinho e amizade. Eu passo mal de rir.

Os sujeitos indicados para a mudança de vida precisam de uma motivação forte – que pode ser pedir a namorada em casamento ou se apresentar para uma entrevista de emprego. Para isso, eles devem aprender a se barbear com algo que não seja sabão de coco e a não guardar resto de macarrão na geladeira por seis meses. Mas, por incrível que pareça, o estilo de cada rapaz costuma ser preservado. Nem um grão de purpurina é lançado sobre o cara: os fabulosos têm bom gosto, pensa o quê?

Essas cinco peças raras fazem com que suas presas aprendam isso e muito mais, algo que impressione tanto amigos quanto familiares do ex-habitante-do-chiqueiro. Em todos os episódios, de um modo ou outro, nasce aí mais um homem sociável, charmoso, gentil – e com odor muito melhor, claro. Isso, parece que rapazes gays ensinam melhor do que ninguém a rapazes não-gays.

Queer1menor.jpg
Tá sentindo um vento fresco
vindo do secador?
Fla Wonka às 01:05 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold