quarta-feira, 17 de dezembro de 2003

Pegue a arruda e faça figa!

Roberto Carlos é um homem que, além de usar mullet e franja além do permitido pelas leis da humanidade, carrega inúmeras manias estranhas. O Rei, por exemplo, só usa roupas em tons de azul claro e branco. Também nunca sai pela mesma porta que entrou, não usa verbos negativos como “morrer” e não compra nada que tenha a cor marrom. Antes de julgá-lo, pense bem: será que, mesmo no fundo, você não guarda ao menos uma superstição?

Eu, que já não sou muito certa da cachola e acredito em monstro do Lago Ness, tenho de confessar que guardo de leve. O problema é que algumas superstições e crendices populares estão tão arraigadas no nosso subconsciente – graças às avós, às tias e às vizinhas Mirtes – que acabamos carregando a prática e passando adiante mesmo sem querer.

E com o ano de 2004 se aproximando, sai de baixo. Porque este é o momento em que todas as manias populares ressurgem com a força de um furacão porto-riquenho. Então vamos relembrar algumas das mais famosas para você não passar carão diante da parentada!

Bater na madeira três vezes
Eu sempre bato, seja na madeira, na fórmica ou no tampo de vidro. Às vezes até bato mais de três vezes, só para garantir. O que eu nunca parei para entender é se o certo é bater para a coisa acontecer, ou bater para ela não acontecer. Será que ando fazendo tudo errado?

Não passar debaixo de escada
Isso não cola, pelo menos para mim. Outro dia mesmo estavam consertando um telhado aqui perto de casa e havia uma escada bem na calçada. Eu continuei andando e passei debaixo. Antes isso do que caminhar no meio-fio de uma avenida movimentada. Daí, não adianta culpar a má sorte!

Coceira na mão direita é dinheiro
Minha mão direita anda coçando. Agora eu quero saber de onde vai vir o tal dinheiro. Será que vou ser atingida por um cofre como acontece nos desenhos animados? E se a recompensa por terem achado o Saddam cair por engano na minha conta? Vai ver, é só uma picada de pernilongo.

Não dormir com a porta do armário aberta
Outra que faz parte da minha lista. Mas não é por crendice não, é só porque tenho medo que a bagunça interna se torne uma avalanche noturna de roupas e calçados. E mais: o quarto é tão pequenino que, se a porta do armário ficar aberta, não tenho por onde subir no meu lado da cama.

Andar com uma nota de dólar na carteira
De quem foi a idéia brilhante de associar o dólar à sorte nas finanças? Alguém que não viveu a queda da bolsa de Nova York em 1929, com certeza. Mas eu tenho um. Droga. Com esse negócio de dinheiro não se brinca! Até trevo e folhinha seca de louro, tudo vale. A profissão não ajuda...

Não deixar sapato virado
Se isso atrai vibrações ruins, tô ferrada. Sou mestra em chegar em casa, tirar os sapatos de um modo peculiar que os fazem voar longe e depois começo a chutá-los até que eles cheguem debaixo da cama. A prática já é feia, mas espero que não cause trovoadas na minha cabeça.

Quebrar espelho dá sete anos de azar
Qual é o problema com o número sete? E o que um simples objeto refletor tem a ver com isso? Já quebrei vários espelhos na minha vida, ainda mais aqueles pequeninos de plástico que usava para brincar de casinha. Se fizer as contas, devo ter computado uns 490 anos ruins. E agora?

Não colocar bolsa no chão
Segundo a crença, colocar bolsa no chão faz os negócios desandarem e o dinheiro não entrar. Vai ver que é por isso que eu ando sempre lisinha! Mesmo com o maldito dólar. Uma deve anular a outra. Mas se eu moro em prédio, o chão da minha casa não é o chão de verdade, certo?

Dizer “má sorte”
Cometi um erro no item do espelho. Eu disse (pior, escrevi) aquela palavra que começa com A e termina com ZAR. Isso atrai aquilo que você desconfia. O certo, no caso, é dizer “má sorte”. O significado é o mesmo, mas pelo menos a palavra é positiva. Cientificamente comprovado!

Não deixar relógio parado em casa
Relógio parado ou atrasado faz a vida andar pra trás. E faz você perder todos os compromissos também! Vá logo trocar as pilhas daquele despertador de camelô que só funcionou no primeiro dia de uso. Mesmo se não atrair bons fluídos, pelo menos o horário do cinema fica garantido!

Vivi Griswold às 09:25 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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