segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

O que nós vimos, o que vocês verão

Ser jornalista pode não ser um mar de rosas, mas tem pequenas compensações capazes de causar invejinha por aí – e nessas é que eu me agarro para seguir em frente. A maior de todas deve ser o pioneirismo. Somos os primeiros a saber de quase tudo! Para garota curiosa como eu, isso é benefício melhor que plano de saúde. Sabe onde exercitei essa minha sanha por novidades no último sábado? Na apresentação de “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”!

Eu, Vivi e um mar sem fim de “jornalistas” (se aquelas 400 cabeças forem profissionais do setor, pode me chamar de Genoveva) participamos desse nerdíssimo evento a convite da Warner do Brasil. Já aconteceu muitas vezes de fazermos parte de pré-pré-pré-estréias de filmes bons, mas não me lembro de ter sido tão emocionante.

Olha, eu nem sou a maior fã viva da saga criada por Tolkien. Não li qualquer página dos livros e só conheci a viagem de Frodo e seu anel (no bom sentido) com o lançamento no cinema. Ainda assim, apaixonei. Ô trilogia danada de boa... A melhor de todas as lançadas até hoje, talvez. Antes que a polêmica se espalhe, eu explico a lógica.

Os filmes com Indiana Jones e Marty McFly são os grupinhos de três que eu mais adoro. Uma tem personagens incríveis e aventura em dose animal, outra tem excelente humor e história magnífica e amarrada com perfeição. Mas “O Senhor dos Anéis” junta tudo o que ambas têm de melhor e mais ainda. Magia? O cinema nunca foi tão mágico.

Esse terceiro filme foi o arremate perfeito para a história, trazendo tudo o que vimos antes em carga tripla. As batalhas são de cair o queixo, o romantismo é de causar diabetes, os personagens assumem suas vocações até o limite. Para fazer uma mocinha cética como eu chorar com a amizade de dois hobbits, é porque a coisa foi forte...

Aliás, foi ótimo finalmente ter certeza que trata-se de uma história sobre amizade. Tirando todos os orcs gosmentos, os efeitos e a firula, o que sobra é uma mensagem muito clara sobre ser fiel aos princípios e aos amigos. Chuinf... tem coisa mais bonita de se ver? Tem: o Legolas.

Mas mesmo com o meu elfo predileto dando as caras de vez em quando, quem rouba a cena definitivamente é o zoiudinho Gollum. Não quero ninguém tentando me convencer de que o ex-hobbit cooptado pelo lado escuro da força é de mentira! Com aquelas expressões faciais? Nem pensar! Quando o Oscar chegar, conto ver o Gollum de smoking subindo ao palco para agradecer sua estátua de melhor coadjuvante. Nem que seja com os pés sujos e peludos de fora.

A cena inicial é das melhores, onde ele aparece, explica muita coisa. Claro que eu não vou contar mais do que isso, bobos, senão estraga. Mas vale deixar avisado sobre esse e outros pontos de observação especial: a seqüência inicial, a invasão de Minas Tirith, a participação dos incômodos olifantes e como Legolas arregaça com um deles, os faróis sendo acesos através da Terra Média, a relação de Frodo e o gorducho Sam em meio às intrigas de Gollum. Saco! Ainda demora um bocadinho pra chegar o dia 25 de dezembro e eu rever tudo isso.

Mas, pensando bem, o melhor lado dessa minha profissão não é saber de tudo antes. Contar para os outros é muito melhor! E se vocês quiserem continuar sabendo, vai ser um prazer continuar dividindo.

gollum2.jpg
Deu até pra sonhar com essa carinha doce...
Fla Wonka às 02:04 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold