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Em busca do presente perfeito Sendo uma pessoa que gosta infinitamente mais de dar presentes do que de ganhá-los, tenho passado algumas horas de preocupação. Não apenas porque a época é de vacas anoréxicas, tampouco porque faltam 12 dias para você-sabe-o-quê. Como sempre, fico querendo achar a prenda mais legal de todas - aquela que, ao recebê-la, a pessoa pensa “puxa, como essa garota é batuta!”. E preciso me esforçar para merecer a fama. Dou início à minha busca pelo presente perfeito partindo do pressuposto de que presente tem que ser original. Camisa, pacote de cueca e CDs estão de fora, portanto. Gosto de pensar também no que eu adoraria ganhar – normalmente dá certo. Agora que juntei as escovas de dentes, fico feliz de ver o tanto de coisas legais que já entreguei e que no momento enfeitam nosso apê. Sabe a cena de “Splash – Uma Sereia em Minha Vida”, quando o Tom Hanks dá um embrulho para a Daryl Hannah e ela acha que a caixa com um laço amarrado já é o presente em si? Essa sou eu. Não chego a me emocionar com pacotes, mas já gostei muito mais de alguns cartões e bilhetinhos meigos do que do conteúdo propriamente dito. Comigo, nem precisa usar a frase de avó “não repara que é mixo”. Nunca reparo. Voltando à saga. Brinquedo é sempre algo bom para se dar. E para ganhar. Está certo que o complexo de Peter Pan (no meu caso, pode ser complexo de Sininho?) chegou por aqui e montou acampamento fixo. Mas tem coisa melhor do que receber ou entregar uma grande caixa colorida, recheada por muitas pecinhas ainda mais coloridas e divertidas? Não. Definitivamente. Uma vez com algumas idéias na cabeça, é hora de ir à luta – ou às compras. O que, aos poucos, vai se revelando uma tarefa cada vez mais árdua. Sair de casa no mês de dezembro pode causar mais danos do que bater com a cabeça na parede repetidas vezes. Primeiro, esse calor senegalês que não dá trégua e faz você suar por todos os poros nos primeiros quinze minutos de empreitada. Depois, esse povo todo na rua. Todas as lojas estão entupidas, todas as ruas estão congestionadas. Eu me sinto no carnaval de Salvador quando finalmente consigo entrar em algum estabelecimento comercial – caindo no meio do mais puro esfrega-esfrega, puxa-puxa e empurra-empurra. Só que a trilha sonora, ao invés de axé, é a Simone cantando “então é Natal...”. Ou algum midi remixado de “Noite Feliz”. Loja de brinquedos, meu alvo favorito ano após ano, também não é uma maravilha. Lotadíssima de mães, pais, avós e tios buscando lembrancinhas. E criança saindo até pela caixa registradora. Freqüentar lugares do tipo nesta época é pedir para testemunhar cenas da mais pura barbárie infantil: o que tem de menina se jogando no chão e se descabelando por uma boneca, ou menino empurrando o amiguinho de cima da bicicleta que ele quer ganhar... Pastelão puro e grátis. Mas cansa logo. A Internet é um bom lugar para procurar prendas originais, principalmente naqueles sites de pseudo-leilões. Mas não dá para correr o risco de encomendar alguma coisa pelo correio nesta altura do campeonato. É capaz que chegue em tempo do Natal... de 2004. Outras pedidas são feiras de bugigangas antigas, como a do Bixiga, aqui em São Paulo. Adoro aquela bagunça composta por pessoas, objetos e traças. Pois bem. Eu ainda não encontrei o que estava procurando. Ou começo a fazer como uma tia minha, cujas compras natalinas ocorrem em maio, ou relaxo e aproveito a época. Sei que vou acabar achando o tal presente perfeito, como sempre. Como sempre, meus olhinhos vão brilhar na hora de entregá-lo. E na hora de ler meu cartãozinho também. ![]() Não precisava se incomodar...
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