terça-feira, 9 de dezembro de 2003

Com a lanterna no queixo

Uma mulher de branco pede carona no meio da estrada, durante uma noite escura e coroada pela densa neblina. Um motorista solícito oferece ajuda à dama. Ela diz que precisa seguir ao cemitério. O rapaz pára em frente aos sóbrios portões, e vê a mulher desaparecer diante de seus olhos assustados. E aí, arrepiou?

Claro que arrepiou: eis a graça de contos de terror. Mesmo que seja a centésima quinta vez que você ouve a história – e mesmo sabendo que ela provavelmente veio de uma mente criativa –, é sempre mais emocionante fingir acreditar e deixar os pelinhos do braço ficarem em pé à vontade.

E quando somos crianças, então? Daí, qualquer coisa assusta. Se eu fiquei petrificada de medo com o filme “E.T. – O Extraterrestre”, imagine o que uma narração fantasmagórica não era capaz de fazer! Só de ouvir qualquer referência sobre a tal “brincadeira do copo”, já pedia para dormir no meio dos meus pais à noite.

Os contos de terror mais famosos empalharam-se como lendas urbanas. Todo mundo conhece uma versão da historinha que eu citei no primeiro parágrafo. E todo mundo conhece alguém cuja amiga tem uma sobrinha que tem uma prima que bota até a mãe no meio para jurar haver conversado com uma alma penada através de um copo virado com a boca para baixo. Quem somos nós para duvidar? Eu, hein...

Devo confessar que adoro contos de fantasmas – mesmo que isso ainda arrisque minhas boas noites de sono. Sou a primeirona a me empolgar totalmente quando, em reuniões de amigos, uma pessoa tem a idéia de dividir narrativas da espécie. Se existe uma lanterna por perto para ligar no queixo, maravilha! Respiro fundo e espero a minha vez de contar causos.

Portanto, tenho na cabeça um vasto arquivo. A maioria é batida, claro. Como aquelas historinhas em que um médico é chamado às pressas por alguém cuja filha está agonizando. O médico vai e atende a paciente. Quando ela pergunta “mas doutor, como o senhor soube que eu estava doente?” e ele responde “sua mãe me chamou”, CLARO que a mulher vai dizer “mas minha mãe morreu há dez anos...”. Pausa dramática.

Lembro-me que uma vez, quando eu era pequena, o “Fantástico” exibiu dramatizações de histórias de medo. Aquilo me traumatizou de uma forma que até hoje tenho horror do nome Berenice – porque ela era a tal mulher morta há anos que chama o médico para socorrer a filha. Quinze anos se passaram, mas a finada Berê continua me assombrando. Pode?

E foi naquele fatídico especial que eu ouvi a história mais apavorante do mundo. Um homem está dirigindo pela estrada quando vê uma senhora ensangüentada acenando freneticamente. Ele pára, e ela diz que aconteceu um acidente: o carro em que estava despencou do barranco. O homem desce até lá e, quando enfim consegue olhar para a vítima fatal... adivinha? Era a mulher. Ai.

Agora vamos espantar o medo pensando em cachorrinhos, borboletas e taças de sorvete. Mas para garantir, posso deixar a luz do abajur acesa? Só por hoje...

* * * * * *

Vou chamar a Berenice!
Usar o medo para chantagear é golpe baixo – e eu sou uma garota avessa a táticas assim. Então fico com o biquinho: vote na gente para Melhor Site de Entretenimento Pessoal e Melhor Blog do iBest, vá? A primeira fase de votação termina na próxima sexta-feira. Portanto, você tem apenas 3 dias para garantir uma vaga ao Garotas no top 10 de ambas as categorias. E de top 10, nossos leitores entendem.

Vivi Griswold às 10:00 AM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold