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Entra e não repara a bagunça, viu? Daqui umas semanas, completo três meses de vida na minha casa nova. Já foi tempo suficiente para acumular algumas histórias, estabelecer novas manias e notar cantinhos do lugar que nunca tinha reparado existirem durante o período de preparação para a mudança de endereço. Aliás, a cada final de semana, este novo endereço adquire mais cara de lar. Apesar de ainda deixar escapar uns "vou lá em casa" quando na verdade quero dizer "vou à casa da minha mãe", me sinto cada vez mais moradora oficial do meu condô, com suas casinhas coladas e eventuais adolescentes tirando umas casquinhas debaixo das escadas. E eu não me refiro à pintura das paredes externas. Quase três meses também foram tempo bastante para criar mitos e objetos próprios daqui. A torradeira de panda é um deles. Calma. Não é que eu tosto ursos em extinção. Acontece que esse meu aparato, presente de uma das tias favoritas, imprime uma carinha de urso panda em cada fatia de pão. Parece um pouco com um ET, mas é divertido demais comer torradinhas crocantes com uma estampa tão simpática! Outra coisa que só existe aqui em casa é o limbo. Tanto eu quanto o namorido mal passamos dos 1,65 de altura. Para aproveitar o espaço da cozinha, que não é lá essas coisas (como em qualquer empreendimento novo), demos de fazer armários até o teto. Um deles, sobre a geladeira, revelou-se impossível de ser alcançado pelos dois moradores semi-pigmeus da casa. Pronto! Criamos um monstro – ou o limbo. Agora, nunca se sabe o que pode ter lá dentro. Almas perdidas ou, quem sabe, o garfo que sumiu? A resposta jamais será revelada, até que alguém compre uma escada. Da cozinha para o banheiro, encontramos o ralo que fala. Claro, não é numa linguagem inteligível. Mas o danado parece querer se comunicar, tamanho o barulho que faz depois que o chuveiro é fechado e resta a ele deixar escorrer a água. Parece que o ralo tem uns oitenta metros de profundidade. Talvez haja um punhado de criaturas subterrâneas tentando escapar por ali. De qualquer maneira, caro leitor, numa eventual visita à casa da terça parte mais loira desse site, recomendo veementemente não se aproximar do ralo ou do limbo. Para compensar, sirvo torradas de panda quentinhas com café passado na hora, nas xícaras coloridas que foram gentil presente das outras terças partes do Garotas. Isso se as criaturas já não tiverem subido e roubado minha torradeira, e se as xícaras não tiverem sido sugadas pelo limbo. 500 vezes Garotas |
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