Apesar de contar um número razoável de CDs em minha estante (nada absurdo nem mesmo muito grande, mas por certo respeitável), percebi que apenas cinco deles ganham o prêmio que intitula esse texto.
São aquelas delícias boas de se ouvir da primeira à última faixa – ou pulando apenas uma ou duas que tocaram demais nas rádios, que misteriosamente são, na maioria das vezes, as mais fracas do álbum. Por isso, a lógica do esquema marketing-de-gravadora-programação-jabá ainda é uma grande nebulosa para mim…
A seleção não contou coletâneas (senão os Beatles com certeza marcariam mais pontos); só álbuns mesmo. E notem que não digo que esses são os melhores discos que já ouvi, mas apenas os que ouço do início ao fim, sem galho, dentre os componentes de minha discoteca. Pronto? Então, solta o play.
Tigermilk, Belle and Sebastian
Não sou de endeusar esse simpático e melancólico septeto escocês, mas também não acho a pior coisa dos últimos tempos. Gosto muito da banda e o disco em questão é uma pérola. A letra de "The State That I Am In" oscila entre a tristeza profunda e o cinismo hilário, incluindo casamentos pelo green card, uma jovem noiva roitmann e um padre que aproveita as confissões do garoto para escrever um livro de bolso (?!).
Please Please Me, Beatles
A estréia dos guapos de Liverpool muito me agrada e, embora eu prefira pular "Love me Do" (toca demais), acho a peça uma perfeição para qualquer hora, em qualquer lugar. As melhores são "Misery", "Ask Me Why" e "Baby It's You", uma das mais lindas canções de amor que já ouvi. O quê? Não conhece? Corre pro Kazaa, Lime Wire ou o que quer que seja. Vale cada um dos bytes.
Blood Sugar Sex Magik, Red Hot Chili Peppers
Nos idos de 1992, um clipe para lá de tosco – e ainda assim inventivo – estourou na MTV. Quatro freaks pintados de dourado faziam caretas e tocavam num cenário desértico, em P&B. Bastou para eu me apaixonar pelos Red Hot Chili Peppers. E esse disco, que ganhei do meu pai e de meu irmão depois de uma prolífica ida dos dois ao supermercado, é poderoso do começo ao fim.
Automatic For the People, REM
Aos poucos, fui aprendendo a gostar de toda e cada música do disquinho abacate fosforescente. De "Drive", que abre o álbum, a "Find the River" – segundo meu amigo Flávio, nerds de carteirinha que adora pesquisar significados de letras na internet, uma parábola sobre crescer. E não é que faz sentido mesmo? Além, é claro, de ser linda de morrer…
Unplugged, 10,000 Maniacs
Coincidência ou não, ontem chegou em casa a segunda edição que compro deste álbum. Já explico: o primeiro CD, adquirido lá pelos idos de 1995, estava velho, perdido e riscado. Por isso, não titubeei em chamar um substituto. Em 25 anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece – comprar um mesmo CD duas vezes. Mas esse merece. Da primeira à última faixa, me deleito com a voz única de Natalie e seus comparsas em arranjos bacanas ao fundo. Bons tempos aqueles, em que a idéia do Acústico não era "dar uma maquiada" no artista para vender loucamente…
Eu até gastei o meu "Unplugged"
anterior e precisei comprar outro!
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