Já contei pra quem quisesse ler: eu não tenho absolutamente nenhum problema para dormir. Nenhunzinho. Se eu quiser, encosto no ponto de ônibus e durmo que é uma beleza. Só que isso é apenas uma meia-verdade... Quando estou empolgada demais ou com planos mirabolantes no crânio, rodo entre os lençóis que nem jujuba em boca de criança banguela.
Ontem, por exemplo, foi assim. Depois de uma reunião de três horas com Clara e Vivi, saí da cafeteria com 12 tarefas a cumprir, muitas idéias a desenvolver e a certeza de que tudo o que a gente sonha ainda vai vingar. Duro é que, depois do conversê todo e de um balde de frapuccinno com chantilly, cadê que eu conseguia dormir?
Daí usei a técnica que descobri há tempos para esses raríssimos momentos de “ué, sono, onde você se meteu?”. É só pensar nas coisas mais monótonas do planeta. Ah, sim, você pode criar as suas próprias! Aqui, só dou as minhas táticas particulares. Mas adianto uma dica: não tente contar carneirinhos ou imaginar coisas como uma corrida de jabutis. Isso irrita em vez de causar sono – e o que seria uma noite de sonhos pode acabar numa chacina animal.
Aula de física do terceiro colegial
Meu professor se chamava Kalil e até tentava ser simpático e interessante. Mas física sempre soou para mim como gelatina diet de abacaxi soa para os obesos. Para piorar, ele dava a aula das 7h00 da madrugada na sexta-feira. Devo ter dormido em 90% do tempo que o esforçado senhor ficou na frente da classe naquele ano. Não tem coisa mais fácil que cair no ronco revivendo aqueles tempos.
Dormitório de freiras
Uma vez fui viajar com o colégio para as cidades históricas de Minas Gerais. Foi um ótimo passeio, mas os professores acharam de hospedar 70 adolescentes em um... convento. Bom, basta dizer que espiar pela fechadura do quarto das irmãs e ver dezenas e dezenas de freiras deitadas em posição de defunto me deu quase depressão. É lembrar da cena decepcionante e fazer naninha.
Ópera na tv
Nunca tive o prazer de ser convidada para ir a qualquer apresentação de ópera. Acho que, ao vivo, deve ser um espetáculo bem bonito (mesmo parecendo, às vezes, que aqueles senhores estão gritando receita de risoto uns para os outros). Agora, eu não entendo qual a graça de ver isso pela televisão. No canal Film&Arts, pelo menos, as roupas ficam desbotadas e o som é péssimo. Passe-me o travesseiro, pelamordedeus...
Festival de mímicos
Qualquer tipo de artista de rua me diverte aos borbotões. Acho lindos os malabares e caio de amores pelos contorcionistas. Mas mímico é o supra-sumo da chatice. Daí, quando o sono falta, basta imaginar que estou obrigada a assistir um show completo desses caras fazendo apresentações lentas sob o som de violinos. Já está bocejando ou ainda não?
Filmes com nome de objetos inanimados
Não é que eu torça o nariz para produções estrangeiras, não. É que existem algumas – principalmente aquelas iranianas ou tchecas que se chamam “O Pote”, “A Goiaba” ou “A Casa de Bonecas Mancas de Juliette” – onde eu não consigo manter os olhos abertos. Diálogos de 25 minutos e sem tema concreto me fazem acordar só nos créditos. Pensar nisso, portanto, rende soneca da boa.
Documentários sobre pequenos roedores da Malásia
Amo bichinhos. Mesmo. Se pudesse, me associava ao Caçador de Crocodilos do Animal Planet e passava a coordenar um zoológico beneficente. O diabo é ficar desperta durante aqueles programas sobre animais minúsculos e indefesos. “O esquilo albino arrasta a noz até a árvore... Ali ele permanece degustando a iguaria... Esses animais vivem em casais e têm hábitos noturnos...” Gente: vinte segundos imaginando essa narração e não há insônia que resista. Juro pra vocêszzzzZZZZ...
Vem brincar conosco, gente boa!
Vocês já viram o texto de Vivi de hoje cedo? Quem ainda não viu é mulher do sapo... Mas tirando essa metamorfose praguenta, é bom dizer: a promoção de Natal do Garotas vai ser muitíssimo disputada. Comece logo a pensar em um Top Ten Muito Louco da Pesada pra mandar! E vale lembrar que cada leitor pode enviar quantos textos quiser, ok? Aqui não tem miséria.