quarta-feira, 3 de dezembro de 2003

Pratique esportes - mas não me convide

Quando eu penso na chamada "geração saúde", imagino pessoas bronzeadas e saradas. O tipo exato de gente que joga futevôlei nas horas vagas, manda ver no açaí na tigela, corre na praia durante a semana, usa camiseta cavada (para exibir os músculos), come apenas alimentos macrobióticos e dá aos filhos nomes como Cauã e Açucena.

Tá bom, não precisa completar todos esses quesitos para entrar na panelinha saudável. Basta praticar um esporte, certo? Mesmo assim, ainda passo loooonge. Apesar de não fumar, não consumir drogas e não beber (com exceção de bebida docinha de menina), fico fora da descrição só porque prefiro um levantamento de garfo ou uma corrida atrás do controle remoto da TV a qualquer outra atividade física.

O fato da palavra "esporte" me dar coceira é puro trauma. Quando eu tinha uns dez anos, pedi a meus pais para me colocarem na ginástica olímpica - amava a idéia de ficar pendurada em barras e de me virar do avesso. Fomos até a escolinha e a amável professora disse que eu era muito velha para começar. Assim, na lata. Maldita mulher. Eu não queria entrar para a droga da Olimpíada, só queria dar cambalhotas num colchonete!

Na escola, tinha planos de vender minha alma ao coisa-ruim para jamais ter de frequentar as aulas de Educação Física. Claro que toda a vez passava a vergonha indescritível de ser umas das últimas escolhidas na divisão de times. Só quem passou por isso sabe o que é. Depois, eram duas horas jogando (no meu caso, correndo feito barata tonta), enquanto os professores ridículos ficavam ali, bundando e paquerando as menininhas.

Calejada pela vida, confesso que hoje sinto um certo desprezo pelos esportes. Sei que a prática é importante, tem o poder de tirar criança das ruas (dizem por aí) e desperta sentimentos nobres (não no meu caso). Porém, há tantas coisas que eu não entendo naquele mundinho de gente suada e de contas bancárias milionárias...

Nem preciso falar que não supooooooorto futebol. Poupe-me do papo de que eu devo ser uma ignorante. Muito pelo contrário: já tentei entender todas as regras e nomenclaturas. O que fica difícil para engolir é uma partida que leva quase duas horas e termina em 0 x 0 ou 2 x 1. E campeão da rodada escolhido por pontuação, sem jogo. Ah, por favor. Emoção nula. Fora que me sobe um calô de nervoso quando escuto os salários daqueles jogadores...

Por falar em salário, soube que o tal de Tiger Woods, um golfista (eu disse GOLFISTA) ganha 150 milhões de dólares ao ano. Deus, ele vive num cenário como o do mundo dos Teletubbies, tentando jogar uma bolinha num buraquinho! Só! E a tal da Anna Kournikova, que é a tenista mais famosa e rica, apesar de nunca ter ganho um torneio mundial? Tsk, tsk.

Se eu pudesse, mudava tudo. Esporte passaria a ser amarelinha, corrida com ovo na colher e Tetris. Ou a dança a dois com uma laranja na cara. Aí sim, eu ia ser uma atleta sem precedentes. Enquanto isso, vou fazer uma abdominal ali no sofá e já volto.

anna.jpg
Que tática, hein?
* * * * * *


Sete é seu número de sorte
Anote o dia de amanhã, 04/12, em sua agenda: finalmente serão revelados todos os detalhes da grande Promoção de Natal do Garotas! Preste atenção, porque você vai saber exatamente o que fazer para faturar uma cesta com SETE pequenas lembranças capazes de fazer qualquer coração anos 80 bater de alegria. Serão 15 dias de prazo para concorrer e apenas um felizardo ou felizarda. Uahahahá (risada maligna).

Vivi Griswold às 09:56 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold