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Meia-dúzia de contos urbanos Hoje elas se espalham como gafanhotos na lavoura, fazem pouco barulho e logo caem no esquecimento - tudo por culpa da Internet. Mas quando éramos crianças, as lendas urbanas surgiam devagar sei lá de onde e ganhavam força aos poucos, graças ao boca-a-boca e à saudável mania infantil de acreditar em tudo o que ouve. Vai ver que é por isso que algumas das melhores histórias continuam por aí. A ação de repassar uma lenda urbana não se baseava em dar "foward" num e-mail para todos os seus amigos. Uma pessoa tinha que chegar na gente, arregalar os olhos e diminuir o tom de voz. A frase sempre começava com "Você ouviu só aquela história..." e terminava com "o cunhado da irmã da minha prima JURA que viu!". Daí, bastava contar a outro coleguinha adicionando mais detalhes assustadores. E assim por diante, para todo o sempre. Algumas delas me assustaram muito. Sempre que a Sessão da Tarde exibia aquele filme "Três Solteirões e Um Bebê" (lê-se "toda a semana"), eu mudava de canal bem na hora do fantasma. Diziam aparecer o espectro de um menininho que morreu naquele apartamento - é bem perceptível, repare. Depois descobriu-se ser um display esquecido atrás da cortina. Hmmm, sei não... E quando o saudoso "Nepê", ou "Notícias Populares" (conhecido jornal sensacional e sensacionalista aqui de São Paulo) inventou a conhecida historinha do bebê diabo? Foram dias e dias dando manchete do tal filhote do coisa-ruim, que teria nascido em algum bairro paulista. Até foto eles colocaram, com um recém-nascido de chifres! Lembro-me direitinho que todas as Mirtes, Irenes e Lourdes da rua ficaram aterrorizadas. Também tinha a história do palhaço e da bailarina. Essa vem de Oz! Contava-se por lá que uma kombi (?!) com um palhaço e uma bailarina (??!!) passava na frente dos colégios bem nos horários de pico. O casal surreal oferecia doces e canções, atraindo criancinhas indefesas para dentro do veículo. Lá, eles removiam os órgãos da pobre vítima e a devolviam sem o rim ou o fígado. Outra lenda que instalou medo foi a das balinhas Van Melle. Começaram a comentar que as balas coloridas artificialmente continham cocaína dentro. Enquanto os adultos piravam, as criancinhas (inclusive euzinha) faziam fila na cantina da escola para comprar o pacotinho do Mal. E ainda ficávamos procurando um furinho em cada uma delas, por onde o sêo Van Melle havia injetado a droga. A receita de sucesso de uma lenda urbana era envolver ícones infantis da época. Quem não tocou o disco do Menudo ao contrário para ouvir as mensagens demoníacas dos porto-riquenhos? A mais famosa é a do hit "Não Se Reprima", onde é possível escutar (nitidamente) a frase "Satanás vive". Quem achar um link disso para baixar, manda pra cá! Eu e minhas amiguinhas da rua acreditávamos muito naquela da boneca da Xuxa. A apresentadora havia lançado dois tipos de bonecas: uma à lá Barbie, e outra grande, com umas pernas e braços molengos. Segundo as lendas, a boneca menor ganhava vida à noite e arranhava o rosto da dona. A grande fez pior: enforcou uma menina com seus longos membros! E o que dizer do boneco do Fofão? Diziam que o personagem peludo e bochechudo, vindo do planeta Fofolândia segundo o próprio, fez um pacto com o diabo para ter fama, sucesso, dinheiro, iates, mansões e mulheres. Para agradar as forças malignas, ele mandou rechear seu boneco (que por si só já era BEM assustador). Uma versão dizia ser uma vela de macumba. Outra, um punhal. Nunca comprovei, porque nunca tive coragem de chegar perto daquele brinquedo horroroso... Mas nenhuma lenda urbana chega aos pés descalços e fantasmagóricos da Loira do Banheiro. Todo sanitário (masculino e feminino) de todas as escolas contavam com a figura, mais famosa do que a Carla Perez jamais será. Havia todo um ritual para chamar a entidade. Algo como: apertar a descarga três vezes, girar no sentido anti-horário, pular com um pé só e assoviar. Cada banheiro tinha a sua maneira de despertá-la. A prima da amiga da minha vizinha JURA que viu. Depois de amanhã |
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