|
||||||||||
|
||||||||||
Biriquitote! Xefra! Um dos livros mais bacanas que já li - e que ainda releio, de tempos em tempos - é "Marcelo Marmelo Martelo", da excelente Ruth Rocha. A história-título apresenta a inventiva saga de um menino que, curioso sobre a origem das palavras, começa a criar sua própria língua (as expressões que emprestei para batizar este texto são os palavrões que o petiz tirou da cachola). Além de ser uma pérola da literatura infantil, também tenho a brochura em alta consideração – e em lugar cativo na estante – porque eu me identificava com o pequeno herói. Quem nunca pensou que determinada palavra significava algo totalmente diferente, tamanha a discrepância da sonoridade da dita com seu sentido? Quando eu era pequena, achava que "escrúpulo" era uma coisa muito feia de se ter. Uma palavra assim tão horrorosa e áspera não podia se referir a nada de bom – mas se refere. Vivi me confessou outro dia que "escaninho" lhe inspirava um bichinho, tipo esses ferrets peludinhos que pululam por aí. E não devia mesmo ser isso? "Macadâmia", para mim, era uma região antiga – talvez próxima à Mesopotâmia, entre o Tigre e o Eufrates –, e jamais uma espécie de castanha. "Plúmbeo" me remete a coloridas penugens de bichos exóticos, e nunca a algo feito de material tão pesado como o chumbo. E, fazendo supermercado esses dias, notei o advento do palmito de pupunha (!). Primeiro, achei que parecia um apelido infantil para as partes íntimas. Tipo periquita, sabe? Depois, imaginei que "pupunha" seria sinônimo de frescura, fosquinha. Assim: "ah, pára de fazer pupunha e come logo essa sopa de feijão!". Claro que a palavra deve denominar uma espécie de palmeira, mais abundante que a do outro tipo de palmito, já que a iguaria de pupunha é bem mais barata (mas achei que tem gosto de borracha). Se eu fosse a CEO vitalícia do Departamento de Línguas para Todos os Povos do Planeta, a Macadâmia seria uma bela terra habitada por escaninhos plúmbeos correndo soltos, sem escrúpulo algum, que jamais fazem pupunha. Como não sou, essa é apenas uma frase absolutamente nonsense. Mas podia ter todo o sentido do mundo, se eu fosse a personagem principal de um livro chamado "Clarissa Salsicha Preguiça" ou algo que o valha. Clara McFly às 07:19 PM |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||