São 52 pedacinhos uniformes de papel. Alguns, mais elegantes e de matéria plástica. Outros, meio podrões, mas igualmente divertidos - isto é, se utilizados para as brincadeiras corretas e não para sessões intermináveis de buraco ou truco.
Como já disse por aqui, adoro jogos e folguedos, de Scotland Yard a pescaria de festa junina. E muitos anos passando férias escolares na praia deram nisso: uma admiração especial por baralho. Afinal, não é todo dia do verão que faz sol.
Além do mais, o conjuntinho de cartas é portátil, barato e se desmembra em dezenas de embates para lá de divertidos. Depois de uns 20 anos de experiência no assunto (minha mãe jogava rouba-monte comigo desde a mais tenra infância), cheguei a uma lista com os cinco mais-mais. Compre uma carta e siga os escolhidos aí embaixo!
Nada de morto nem de zap na testa
Tapa
É infame? É, não vou mentir para você. Mas a simplória brincadeira que consiste em dividir o baralho (fechado, claro) entre um grupo que pode ir de três a um zilhão de manés, cantar a seqüência das cartas ao mesmo tempo em que se viram as ditas e, ao virar uma carta que coincide com a chamada, bater a mão sobre o monte sempre me alegrou, desde pequena. É, eu sei. Eu me divirto com pouco.
Pôquer
Sempre achei o pôquer uma espécie de truco mais elaborado. Ou o truco uma espécie de pôquer mais simples. Enfim. O fato é que adoro fingir que estou jogando naquelas mesas esfumaçadas, com lâmpadas penduradas sobre as cabeças dos jogadores. E a cada feijão ou milho (jogo pôquer, mas sou do subúrbio, pô!) que eu coloco na mesa à guisa de aposta, finjo que estou pondo na roda a minha própria casa. Demais.
Desconfio
Em alguns lugares, essa competição de blefes é chamado de duvido. Cada jogador recebe 11 ou 13 cartas e as coloca na mesa viradas para baixo, anunciando o que está descartando. Como o descarte é fechado, o infiel pode estar falando sério ou inventando. Cabe aos outros participantes desafiá-lo, dizendo (ou gritando, para dar mais emoção) "desconfio!" se acharem que as 12 damas cantadas pelo cidadão não estão ali…
Jogo do Palavrão
Meu amigo Scot me ensinou essa. É uma mistura de tapa com uma enxurrada de impropérios, extremamente divertida e contra-indicada se houver crianças ou senhoras mais pudicas na sala, como a sua avó ou a tia solteirona da família (toda família tem uma). Cada integrante escolhe um palavrão bem cabeludo (sapo cururu não vale) e dividem o baralho disponível, que permanece fechado. Quando duas pessoas na mesa viram a mesma carta, uma tem de falar o palavrão da outra. Quem xingar primeiro ganha. Eu juro que jogar é bem mais legal que descrever.
Mexe-mexe
Apesar do nome altamente suspeito, esse jogo não inclui nada de baixo calão e pode ser descrito nesse horário. Basicamente, o mexe-mexe é uma espécie de buraco, mas sem morto, o que já soma pontos no quesito "é um jogo legal". Além disso, todo mundo pode mexer nas seqüências ou lavadeiras de todo mundo - o que torna as partidas mais rápidas e poderia também fazer com que a brincadeira se chamasse "ninguém é de ninguém". Mas aí não daria para chamar sua avó nem a tia solteirona para jogar…
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Bati!
Maior que a satisfação de encher a boca (no bom sentido, sempre) e gritar essa palavra ao final de uma partida de baralho, só mesmo estar de novo no Jornal da Tarde! A capa do suplemento de Informática da edição de hoje estampa cinco carinhas felizes (e um pouco blasés, mas não foi por querer, juro!) dessas Garotas que vos escrevem e de dois dos nossos fados-padrinhos, do Gardenal. Clique enquanto é tempo se quiser nos ver lá – e numa foto interna, na matéria em questão.