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Mania de doutor No último fim de semana consegui me dedicar ao passeio que eu mais gosto dentre todos: ir no cinema. Foi um bocado difícil escolher algo para assistir – infelizmente estamos naquelas entressafras de filmaços – mas optei por ver “O Júri”. Filme de advogado, sabe? Droga... descobri que basta armar um tribunal para minha atenção grudar na tela que nem chiclete no sapato. Aliás, acho que filme de advogado deveria virar um gênero. Assim: comédia, drama, romance, ação... e filme de advogado. São tantos já lançados que certamente dá para fazer um capítulo inteiro nas enciclopédias cinematográficas. John Grisham, o rei dos romances sobre a categoria, merece uma página dedicada só para ele nessa cine-Barsa. “O Júri” é filhote nascido de uma de suas obras literárias. “O Dossiê Pelicano”, “A Firma” e “O Cliente” também, sendo que todos falam de homens e mulheres que carregam pastas de couro e usam palavras difíceis de soletrar como “jurisprudência”. O moço deve ter fixação por esse meio. E por botar artigo no título de seus livros. Bom, eu não sei por que, mas é um fato: montou o cenário de tribunal todo revestido de mogno, vestiu um cara de juiz e destacou um ator para a defesa e outro para a acusação, eu já me animo a ir no cinema. Melhor ainda se existir um baita conflito ético na jogada ou uma jogada por trás do conflito ético. Pior é que nem sou lá muito fã do Direito em si. Mas adoro quando os advogados de mentirinha começam a repetir “protesto, meritíssimo!” ou “eu apelo à Primeira Emenda!” (seja lá o que for isso). Ah! E filme desse tipo que se preze tem que ter o Gene Hackman no elenco. Fazendo o papel do homem mau, sempre. No dia em que eu fizer a lista dos meus “tiozinhos prediletos do cinema”, Gene vai encabeçar a seleção. Ô sujeito bom de interpretação! Acho que foi mais por ele que “O Júri” valeu o ingresso. Bom, por ele e pelo John Cusack, claro. Os dois, mais o adorável Dustin Hoffman, carregam o piano em cena e fazem desse filme uma sessão-pipoca das melhores. Tem outras, quer dica? “Questão de Honra” (que junta advogados e militares, uma liga e tanto) e “O Reverso da Fortuna”, um dos mais sensacionais filmes dessa categoria que eu já vi. O bom é que, no caso de “O Júri”, o enredo não junta apenas as questões de descobrir, acusar ou fazer o culpado cair numa grande e engenhosa contradição. O roteiro também fala sobre controle de armas – e se tem uma coisa bacana é filme com um fundo moral. Como em todos os do gênero, o final surpreende. Claro que eu não vou sequer mencionar o que é. Vocês aí do outro lado me processariam e isso não seria lá um filme muito legal. Não gostou? Vá reclamar pro juiz! Pois então... Não é que fomos afinal pegas pelas lentes dos fotógrafos? E conscientemente, o que é pior! Nossas caretas saíram em uma reportagem do Jornal da Tarde de hoje, no caderno de Informática. Foi em uma reportagem sobre comunidades da intrigante rede mundial de computadores. Vá lá conferir, na banca ou no site, e depois diz se somos bacaninhas ou merecemos ir parar no banco dos réus. |
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