quinta-feira, 27 de novembro de 2003

Menos eu

O fato de eu não gostar de pizza, de "Seinfeld" e de temperaturas acima dos 25 graus costuma me isolar um pouco em conversas de amigos. Quando o papo toma o rumo de "ei, você viu que hilário estava o Kramer no episódio de ontem?", ou "e aí, vai para a praia no próximo feriado?", minha saída é contar carneirinhos e sorrir amarelo - já que estou sempre em minoria. Afinal, quem mandou ser tão do contra?

Porém, o que me deixa emburrada mesmo é não conseguir fazer certas proezas que muita gente consegue. São coisas que independem de gostos ou opiniões, mas que envolvem talentos e, até mesmo, um dom.

Após anos de tentativas, fiquei conformada com minhas limitações: vou morrer tentando, sem sucesso, truques e peripécias que sempre quis aprender - apesar de algumas delas parecerem inúteis à primeira vista. Ah, se eu pudesse promover alguns segundos de diversão boba utilizando pelo menos um dos artifícios abaixo...

Dobrar a língua
Fazer da língua um canudinho como em um passe de mágica: meu pai, meu irmão e minha irmã conseguem. Dizem que é genético - ai, céus, serei eu adotada? A verdade é que, pelo jeito, me falta alguma ginga por lá. Por mais que eu tente, nada acontece. O pior é perguntar para alguém se ele(a) realiza tal proeza. Em vez de responder apenas com um "sim", a pessoa faz questão de exibir o dom na sua cara! Não bastasse mostrar a língua, ainda mostra de um jeito que magoa.

Virar estrela
Todas as minhas amiguinhas da escola me davam motivo para invejá-las. Virar estrela parecia ser a coisa mais fácil. Era só botar as duas mãos no chão e passar as pernas para o outro lado! Só que na prática a coisa mudava. Deve ser porque eu sempre fui medrosa e nunca gostei muito de ficar de cabeça para baixo. Hoje o trauma passou um pouquinho graças à ioga, mais precisamente à posição do arado (?) que fiz depois de meses de tentativas!

Ver figuras no "Olho Mágico"
Já contei aqui a minha infinita frustração por não conseguir ver golfinhos, estrelas, corações, foguetes e flores em 3-D, supostamente escondidos em uma sequência surreal de manchas e pontilhados. Segui todas as instruções passo-a-passo com paciência - segurei o maldito livro perto dos olhos, fiquei vesga, afastei a figura devagar. Repeti o ritual n vezes. Continuo achando que nada era para acontecer mesmo. Talvez esse tal de "Olho Mágico" seja igual ao Lombardi: nunca ninguém viu.

Assoviar com dedos
Tem gente que faz usando os dois dedos mindinhos, tem gente que faz com o indicador e o polegar da mesma mão. Eu só consigo fazendo biquinho, e sai um assovio mais fino, fraco e sem-graça do que Miojo. Droga, eu adoraria assoviar de um jeito forte e chamativo, como acontece em filmes de ação kick-ass. Se eu quiser que todos olhem para mim em um determinado momento, teria de usar um apito. Ou uma sirene, já que meu fôlego também não é lá grande coisa.

Jogar truco
Quando eu estava na escola era moda jogar truco nos intervalos das aulas. Não que o passatempo fosse igual ao de bar, com quatro marmanjos peludos gritando, pulando e esmurrando a mesa - mas parecia engraçado. Todos tentaram me ensinar as regras e as táticas. Preciso falar que não rolou? Aliás, tenho tanta intimidade com baralho como tenho com passos de mambo. E olha que eu nem vejo diferença entre mambo e salsa. Sei jogar Paciência, serve? No computador...

Fazer o truque do lápis mole
Sabe quando você pega um lápis e o balança de um jeito que o objeto parece mole? Então. Comigo isso não funciona. Também não sei fazer direito aquele truque do polegar partido em dois - sempre sai meio torto e fica na cara que o dedo supostamente cortado está apenas abaixado. Mas tudo bem: sou uma às em comer de hashi, consigo piscar com os dois olhos alternadamente, sei dobrar apenas um falange de um dos dedos da mão direita e falo fluentemente a língua do P.

Pensando bem, eu me divirto muito com o pouco que tenho.

* * * * * *

Vergonha, vergonha
Quer ver uma foto nossa com cara de bunda? Então compre o Jornal da Tarde de hoje! Lá saiu uma matéria bacana sobre o Gardenal.org, mantido por três rapazes bem-apessoados que são nossos fados padrinhos. Tem uma grande e embaraçosa imagem na capa do suplemento de Informática, além de outra menor (e muuuito mais legal) lá pelo meio. Dá para ver online, mas você precisa ter instalado o tal de Acrobat...

Vivi Griswold às 10:21 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold