segunda-feira, 24 de novembro de 2003

De atalhos, cabeças e surpresas

Pegue um campo de mais ou menos 100 x 60 metros, adicione traves com redinha em cada uma das pontas, jogue 22 homens uniformizados lá dentro, uma bola e um trio de árbitros. Cerque tudo com duas torcidas apaixonadas (não entre si, pelamordedeus, que isso não é culto a Baco) e aí está o mais popular espetáculo nacional.

Não sou daquelas que torcem o nariz para futebol, quase uma obrigação religiosa para boa parte dos garotos dessa terra brasilis. Mas também não sou uma dessas que se vê na tv, no meio da torcida, chorando com o rosto pintado nas cores do escrete favorito.

No meu confortável meio-termo, às vezes vou ao estádio ver meu time. Mas passo boa parte do tempo observando as pessoas da arquibancada, geralmente mais interessantes que a partida depois de uns 30 minutos de bola rolando – e sem narração nem replay.

Em casa, até assisto a alguns jogos, e me divirto não só com os lances do embate, mas talvez até mais com as pérolas desfiadas sem o menor pudor por narradores e comentaristas. Foi aí que percebi três lugares-comuns que, além de chavões, para mim são lendas do futebol. Apesar das esmeradas tentativas do namorido em provar por a + b que não, eu duvido que existam...

… "os atalhos do campo"
Como eu já disse, são 22 cristãos (ou não) correndo num espaço de aproximadamente seis mil metros quadrados, com a grama bem aparada. Ainda se fosse um baita matagal, poderíamos dizer que alguns jogadores com senso de localização privilegiado (como nossa mulher-bússola Flá) saberiam chegar mais fácil ao gol. Mas desse jeito, não pode ter atalhos aí!

… "o elemento-surpresa"
Outro mito. Retomando: temos 22 criaturas, pelo menos no começo da brincadeira. Se uma ou mais se estapearem ou cometerem, como também tanto repetem os narradores, uma "entrada dura por trás" (essa gente não presta atenção no que fala?!), o número pode diminuir. Não tem como um técnico entrar com mais dez moçoilos no último minuto, com um ataque à la kamikaze no War. Então, como assim, elemento-surpresa?!

… "a cabeçada consciente"
Então quer dizer que uma bola vem na sua direção a até, digamos, 70 ou 80 quilômetros por hora; você olha bem para ela, olha bem para o gol, pensa "vou colocar essa aqui ali no F 18" (considerando que os quadradinhos da rede são uma base para batalha naval), pula e cabeceia a pelota? Arrã. Se uma bola vem na minha direção com essa velô, o que faço é correr e gritar: "abaixem-se, vamos todos morrer!".

Em tempo: meu time não vai muito bem, obrigada, mas corintiana que é corintiana (apesar de ser daquelas que mal sabem a escalação) jamais abandona o Timão. Sou maloqueira (um pouquinho só, vá?) e sofredora (nem tanto, que eu não ligo muito para isso), graças a Deus!

Clara McFly às 05:27 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold