sexta-feira, 21 de novembro de 2003

Nem com pé-de-cabra

Pode estar caindo o mundo, chovendo estrelas ou acontecendo o fenômeno da aurora boreal em pleno país tropical. Como disse ontem, há uma singela lista de dez filmes que, uma vez que pego em exibição na máquina-de-fazer-doudos, não consigo parar de ver.

Ontem, confessei cinco desses piteuzinhos (tá, nem sempre são tão bons assim, mas perdoem, vá?). Hoje, como prometido, chega o outro quinteto (ou “tchinqüina!”, como dizem as Mirtes dos bingos). Da frente desses, não saio nem com pé-de-cabra.

Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop)
Duas frases explicam a razão dessa comédia estar aqui: "Eu não vou cair no truque da banana!" e "Diga a Victor que Ramon, o rapaz com quem ele saiu semana passada, está com herpes genital" (essa em tom farsesco de quem gosta de filmes de gladiador). Precisa de mais para acompanhar a epopéia de Axl Foley do começo ao fim? Se precisa, que tal o hit "The Heat is On" e aquela trilha incidental podre até o osso, feita num Casiotone da vida?

O Jardim Secreto (The Secret Garden)
Esse é um dos filmes favoritos meu e do meu irmão. Uma jóia escondida, fala de como uma garota que perdeu os pais num terremoto transforma a vida da sombria casa de seu tio, com quem vai morar depois que fica órfã. A direção é de Agnieska Holland, essa mulher de nome impronunciável. E eu e meu irmão adoramos a parte em que as crianças fazem um ritual mágico com o fogo sabemos até repetir os versos! Pena que tão pouca gente conhece...

Máfia no Divã (Analyze This)
Acho que a explicação para esse está no fato de ser perfeita diversão, salpicada de piadas bobocas das quais rio sem parar. E vale ver até o fim porque é lá que está uma das melhores piadas da história, quando o doutor Sobel se apresenta como consigliere de Paul Vitti na reunião dos mafiosos. Jelly, o atrapalhado ajudante de Vitti, também é impagável.

Feitiço do Tempo (Groundhog Day)
O refrão de "I Got You", da Cher e do Sonny Bono, diz alguma coisa? Ao protagonista desse pesadelo cômico, sim. Bill Murray encarna um repórter nada simpático que fica preso num mesmo dia. Mas não podia ser qualquer dia feliz, como a data da excursão do colégio ao Playcenter ou uma noite quente de férias de verão. O pobre é capturado no Dia da Marmota, numa cidadezinha minúscula atolada por neve, onde os cidadãos acreditam num estranho ritual envolvendo o tal roedor. Bem se vê porque não dá para assistir uma vez só.

À Espera de um Milagre (The Green Mile)
Tenho uma teoria de que esse é um filme com a fórmula perfeita. Tem um argumento interessante e um pouco sobrenatural, um vilão malucão, um subvilão detestável, heróis de fácil identificação (como o bom homem de Tom Hanks e o grandalhão mágico de Michael Clarke Duncan), tudo interagindo da forma correta e justa. Choro a toda vez que assisto, embaçando ainda mais meus olhos míopes? Choro, não vou mentir para você. E continuo assistindo, sem saber onde está a mensagem subliminar. Acho que na minha cabecinha, que também deve ser meio míope ou algo que o valha...

Clara McFly às 08:55 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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