quinta-feira, 20 de novembro de 2003

Isso é nome que se dê?

É uma bobagem, mas depois de convencer uma gravadora a botar seu CD cheio de sucessos na praça, um punhado de artistas decide dar ao precioso álbum conquistado... seu próprio nome. Ô desperdício! Se a Gal Costa lança um novo disco, não precisa colocar o nome de "Gal", né? Poxa, a gente conhece aquela bocona. Mas existem iniciativas piores.

Hoje, ou o cidadão chama o CD de "Unplugged" ou "Acústico" (dependendo da tendência à globalização da banda), ou inventa um título malucão. Fiquei paralisada mirando o rádio do carro outro dia quando soube que o novo CD d'O Rappa se chama - desculpa a boca suja, mãe - "O Silêncio Q Precede o Esporro". Hein??? Pode falar isso no ar???

Até então, eu achava que o máximo no nojo e da indecência a que os nomes de álbuns musicais chegaram foi "Só no Forévis", do Raimundos, e "Transpiração Contínua Prolongada", do Charlie Brown Jr.. É que esses até são engraçados de se dizer (mas eu não repito em público, porque sou menina direita).

Outros já preferem fazer a linha "poesia transcendental que engloba valores surreais a nível de nome de CD". Fico imaginando, por exemplo, o que ia na cachola doidivanas da Dona Marisa Monte ao denominar aquele disco "Verde, Azul, Anil, Cor de Rosa e Carvão".

Aliás, sempre que começo a dizer esse nome me dá vontade de completar com uma terminologia bem feia. Assim: "Verde, Azul, Anil... e que vá todo mundo à p* que o p*". Desculpa, eu sei que é feio mesmo. Ainda bem que não digo tanto assim o nome do tal.

Mas tem também quem opte pela meiguice extremada. Os vivos e mortos do Legião Urbana que me perdoem, mas quem batiza um CD de "Música para Acampamentos" merecia receber a visita do Jason Vorhees. E ainda foram eles que criaram um certo "A Tempestade ou O Livros dos Dias". Tudo bem, o Renatão estava passando maus bocados nessa época, mas precisava ser tão deprimente?

Se bem que apenas algumas bandas empregam o pessimismo. Outras são mesmo é uns piadistas. Vocês sabiam que existe um CD do grupelho KLB chamado "Melhor do Que Nunca"? Melhor do que nunca, moleques chatos, só se o carregamento dos seus disquinhos mergulhasse em um poço de piche.

Pensando bem, esse é um caso típico onde é melhor que os discos sejam chamados pelo nome do grupo e pronto. Assim a gente já desvia os olhos antes mesmo de ler qualquer título.

Fla Wonka às 02:00 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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