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Uma garota e sua cara de nada Pena que vocês ainda não podem ver aqui (dadas as normas da casa e a promessa feita anteriormente), mas eu não tenho cara de nada. Nem de brasileira, nem de italiana, nem de espanhola. Nem de nova, nem de velha. Eu pareço com todo mundo e não tenho traços de qualquer grupo religioso ou étnico. Ou vai ver eu tenho cara de tudo isso junto, e esse é o galho. Eu sou confundida com um monte de gente, de parentes a amigas, de ex-namoradas a atrizes de segunda da tv. Várias vezes aconteceu de me pararem na rua para dizer coisas como “oi, Zuleide, querida!!!”. Só que eu não era a querida em questão. E perdi a conta de quantas vezes ouvi na seqüência “nossa, desculpa, você é A CARA da minha prima, a Zuleide”. Um dia ainda brinco de garota-enxaqueca e respondo “sério? Ela também tem cara de trouxa?” Nas vezes em que viajei pelo mundão afora, sempre aconteceu de me pararem para pedir informação. Mas como eu ia saber onde ficava a rua blá-blá-blá ou o monumento ao herói de zê-zê-zê? Educadamente informo que não sou daquela área, sou brasileira. Em 100% das vezes escuto “nossa, você não parece brasileira”. E brasileiro lá tem cara de alguma coisa, pô? Essa brasileira aqui, certamente não. Uma vez, na gloriosa Los Angeles, eu estava conversando com uma amiga quando paramos para atravessar a rua. Naqueles minutinhos de espera, um senhor que caminhava ao lado me cutucou. “Você é francesa? Está falando francês? Que idioma mais bonito é o francês...” Hum... Senti em decepcionar o homem, mas disse que eu falava era português. Ele ficou amuado e disse que eu não tinha cara de portuguesa. Mas se ele sequer sabia que muitos além dos portugueses falam esse idioma, que ia adiantar explicar? Uma outra vez, na faculdade, a confusão causada pela minha falta de originalidade física foi longe demais. Uma garota da classe, achando que eu era outra pessoa debruçada na mesa da professora, largou um tapão bem forte e doído na minha pobre nuca. Eu virei para trás com vontade de arrancar os olhos de quem tinha feito aquilo, mas deu dó da vergonha que a moça ficou. Bom, ela disse que, de costas, eu era a cópia exata da menina que ia ser estapeada de fato. Também, façamos um teste: você conhece alguém com cabelos pretos e compridos, nem muito alta nem muito baixa, com olhos médios, boca média, nariz médio, testa média e queixo médio? Então você também poderia me plantar um tapão na cabeça, com certeza. Eu não tenho mesmo identidade definida. Mas isso até vai ser bom quando eu decidir assaltar um banco, porque nem precisarei usar aquelas incômodas meias de seda na cara. Quem sabe o analista do vídeo de segurança olha a tela e diz: “Minha nossa! A bandida é a minha prima Zuleide!” |
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