segunda-feira, 17 de novembro de 2003

Por dinheiro algum

Ultimamente ando pensando muito em emprego. Acho que a falta de reais e a sobra de contas para pagar têm alguma coisa a ver com isso. Mas como minha profissão-perigo se mostra a cada dia mais um grande barco furado, talvez eu tenha de nadar em outras praias. Hmm. É melhor providenciar uma bóia ou o telefone de algum bom salva-vidas.

Já contei aqui no Garotas quais os trabalhos que eu adoraria fazer. Porém, do jeito que as coisas andam no mercado profissional deste país, sonhar não vai me levar ao cafezinho com um gerente sorridente do Bank Boston. É chegada a hora da ação - e, no desespero, qualquer coisa que renda uns trocos no final do mês é válida. Como Clarissinha sempre diz, é melhor pingar do que secar. Certo?

Ao invés de pensar o que eu adoraria ser, fiz o contrário. Comecei a imaginar quais as profissões em que eu menos me encaixaria. Sabe quando você vê alguém trabalhando em certos empregos e pensa "ah, coitadinho(a)!". Então. Aí vão alguns trabalhos dos quais eu fugiria e não aceitaria por dinheiro algum. Tá, por um milhão de dólares a gente poderia negociar. Mas os pobres trabalhadores abaixo passam longe de verdinhas...

Distribuir folhetos de imóveis no semáforo
Trabalhar de domingo, debaixo do maior sol - ou da maior chuva, dependendo do clima - e usar sempre uma roupinha temática que tenha a ver com o digníssimo empreendimento imobiliário. Ficar lá, de pé, num cruzamento poluído da cidade, esperando o semáforo fechar e tentar empurrar 2 ou 3 folhetos para dentro dos vidros dos carros. Se fosse eu, pegava uma senhora caridosa que aceitou um dos papéis e empurrava logo o bloco inteiro, saía correndo e ia para casa dormir.

Ligar para a casa das pessoas oferecendo produtos
Mais conhecido como a @*&%$# do telemarketing. Tenho a política de não comprar produtos de empresas que fazem funcionários e ex-futuros-clientes passarem por aquele papelão. A garota ou o rapaz com voz de máquina de estacionamento de shopping center é obrigada(o) a ligar para vítimas e discursar sobre algo inútil que a vítima não quer, não precisa e não vai adquirir só de raiva. Pior é quando o profissional não conhece o termo "não quero", apenas o "vai se danar"!

Dar amostras grátis no supermercado
Ficar o dia todo em frente de um grill fazendo mini-linguiças, enfiando um palito de dente em cada uma delas e oferecendo para quem passa com um sorriso, uma breve explicação e um guardanapo. O produto pode mudar, mas a situação embaraçosa é a sempre a mesma. A moça, que está batalhando por um dinheirinho digno, ainda tem de suportar aqueles consumidores chatos que vão ao supermercado com fome e tentam arrancar mais de uma amostra - como eu costumo fazer.

Fazer sanduíches no McDonald's
Imagine passar oito preciosas horas montando centenas de Big Macs. Aposto que o funcionário, além de tudo, fica com a música "dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim" na cabeça a cada expediente maligno. Se eu tivesse esse emprego, me revoltava e jogava todos os picles no lixo, pelo bem da Humanidade. Ok, eu sei que os pobrezinhos fazem rodízio de funções. Mas pior que montar Big Mac é ter de atender clientela chata, hein?

Vender roupas da Hering
Eu e Flá somos consumidoras assíduas da loja supracitada, daquelas que gostam de um modelo e compram logo todas as cores disponíveis. Mas o carinho pelas camisetas clean vai por água abaixo quando se tem uma vendedora seguindo você como mariposa na lâmpada. Parece aquela dupla insuportável de mímicos que seguia pedestres no "Domingão do Faustão", sabe? Dá uma aflição ter a alma penada no seu calcanhar pela loja toda que eu me revolto e vou embora.

Ser figurante das pegadinhas do Sérgio Mallandro
Além de ceder a imagem para o programa mais... mais... mais PAVOROSO da televisão brasileira, os figurantes de pegadinhas devem ganhar só um passe de ônibus para voltar ao Jardim Ângela no final de cada gravação. Os coitadinhos ainda devem obrigar a família toda a ver, dizendo "Mãe, tá vendo aquele de camisa amarela? Atrás dele sou eu!" e responder que é "ator" quando forem indagados sobre a sua profissão. E nunca devem ter conhecido o Mallandro... Pensando bem, sorte a deles.


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Você, nosso amigo de fé, nosso leitor camarada
A gente não aguenta mais falar daquele prêmio da bola dourada, e aposto que você também já não aguenta mais ler sobre isso. Mas desta vez o caso é especial: graças a você, o Garotas não apenas está no top 5 de Pessoal Entretenimento como subiu também entre os cinco mais de Melhor Blog! Portanto, este recadinho é só para agradecer. De verdade. Pronto, chega!

Vivi Griswold às 10:48 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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