sexta-feira, 14 de novembro de 2003

Nas pontas dos dedos

Eu tenho uma mania que todo mundo acha feia, mas na qual não vejo lá muito mal. E, talvez por isso mesmo, teimo em não abandoná-la.

Desde pequena, rôo unhas. Tá, eu sei que não é exatamente bonito ver uma mulher do meu tamanho com a mão enfiada na boca… pelo menos é o que minha mãe me diz – e alguns dos amigos também.

Hoje já me conformei. Na verdade, é um pequeno e delicioso prazer arrancar com os dentes aquelas lasquinhas que ficam arranhando. E acho que a relação custo-benefício desse vício vale a pena, mais que a do meu outro mau hábito, que é fumar.

Nenhuma das táticas supostamente infalíveis para resolver o problema deram certo: pimenta debaixo dos dedinhos, esmaltes amargos cobrindo as unhas, gritos da mamãe.

Quando eu ainda queria parar, tentei uma estratégia nova: enrolei bandeides em todas as pontas dos dedos. Mas aí eu lavava as mãos e eles ficavam molengas. Cheiravam um pouco mal, também. A coisa ficou mais nojenta do que roer as unhas em si. Desisti.

Como disse, ainda pequerrucha, já cultivava o hábito. Aliás, eu tinha várias elucubrações sobre as unhas. Pensava que, se eu puxasse uma pelinha e ela não se soltasse, talvez pudesse descolar tecido epitelial a partir do dedo, por meu corpo todo, até o pé.

Também imaginava que, se nunca fizesse as cutículas com alicatinho, que nem minha mãe, ela podia crescer, crescer até passar o tamanho da unha e ficar penduarada pelos dedos.

Mas a melhor de todas era a teoria da fome que desenvolvi. Achava que comer unha despertava a Catarina e abria o apetite, enquanto que ingerir pedacinhos da pele ao redor da unha saciava o estômago.

Acho que eu tinha mesmo muito tempo livre. E tenho até hoje, para ficar um texto inteiro falando de unhas…

* * * * * *

Demorou, mas saiu

Pensando bem, eu não tenho tanto tempo assim. Se tivesse, o resultado da promoção Discurso do Ibest teria saído antes.

Como a gente tarda mas não falha, aí vão. Os dois contemplados podem esperar o contato dessas Garotas e os pacotes com o conteúdo prometido pelo correio. Que rufem os tambores…

Hemeterio Neto, Fortaleza, CE
"É com grande alegria que recebemos esse prêmio, pois sabemos o quão sério e eloqüente é o processo de seleção. No nosso caso, o design do site foi feito por um primata daltônico da Birmânia, nossos textos, se lidos de trás pra frente, contêm na verdade receitas de xarope de groselha, e nossa afamada contagem de leitores é tão somente um gerador aleatório de visitas sediado na Rússia. Que vergonha, pessoal do Ibest! E nem garotas nós somos! Olhem só!"

[Nisso, à la Scubi-doo, vocês tiram as máscaras e se revelam como sendo na verdade Moe, Larry e Curley, os três patetas, aí soam vaias e vocês têm que ser contidas por brutamontes vestidos de rosa e o tumulto é geral!]

Eduardo Piacsek, São Paulo, SP
"Gostaríamos de agradecer, em primeiro lugar, aos anos 80, não por ser a década do nosso coração nem pela sua fervilhante atividade cultural. Gostaríamos sim de agradecê-los, e muito, pelo seu look que faz com que qualquer ser que tenha vivido na era Bozo/RPM pareça muito melhor hoje. Que Deus nos conserve lúcidas como a Xuxa, elegantes como a Cyndi Lauper, com um marido como o da Simony,com a naturalidade de um Dip Lik e inesquecíveis como o Marquinhos Moura... Como 'quem é esse?', porra!"

É uma pena que não tenhamos uma fábrica de jujubas, uma gravadora ou um sebo, para presentearmos a todos… Mas deixe estar. Quando dominarmos o mundo, repartiremos os louros da glória, as paçocas Amor e os territórios (como Dudinka e Oceania) com todos vocês!

Clara McFly às 07:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold