Um dos personagens principais é metralhado logo no começo. Outro dos protagonistas recebe cantadas da própria mãe. Só aí já se vê que "De Volta para o Futuro" não é exatamente um filme família. E, apesar de tudo, é uma das sessões mais família que se pode fazer, acompanhado de uma boa pipoca ou um pacote de batatas fritas.
Ao primeiro acorde de guitarra tocado por Marty, diante de um mega amplificador que o faz voar por quase toda a extensão do esquisitíssimo laboratório do cientista maluco Doc Brown, aposto que todos os meninos quiseram ser o garoto skatista. E algumas meninas, como eu, também. Por que vocês acham que adotei esse nome, ora bolas?
A produção é diversão perfeita, do começo ao fim. Pelas dez razões que listo abaixo e por inúmeras outras, se você quer passar quase duas horas de puro deleite sem se incomodar em fantasiar um pouco, "De Volta para o Futuro" é O filme. Com "o" maiúsculo mesmo.
10 razões para amar Marty McFly e sua aventura
O carrão
Top de linha da época, o DeLorean tinha aquele design futurista (ei, lembre-se de que estamos em 1985!) e portas que abriam para cima. Já era um carro bacana de linha – imagina adaptado para viajar no tempo!
O cientista malucão
Doc Brown é atrapalhado de tudo: tem aquele visual meio aéreo, com direito a cabelos meio à la Don King e olhos esbugalhados. E apesar de ser capaz de projetar uma engenhoca capaz de viajar no tempo, como instalador elétrico é uma lorpa: a confusão com o tamanho dos fios na seqüência em que Marty tenta voltar ao futuro deixou clara a inabilidade do sujeito com metragem de fios...
Lorraine e sua ingenuidade
Quando Marty acorda na casa de seus avós, na presença de uma garota que um dia vai ser sua mãe, ele está de cuecas na cama. E Lorraine não para de chamá-lo de Calvin. Quando ele pergunta o porquê da denominação, ela saca da frase: "ué, é o nome que está bordado na sua cueca: Calvin Klein!" Genial.
O perdedor
George McFly é meu loser favorito. Quem mais poderia cair na mesma piada idiota de "ei, McFly, seu sapato está desamarrado" por anos a fio? E de ser ludibriado por um adolescente vestido de alien? Se bem que, se me colocassem para ouvir Van Halen no talo num walkman, eu também toparia qualquer negócio.
Os líbios
Eles eram os malvados da vez no ano em que o filme foi lançado. Mas convenhamos: se você é enganado por um velhinho, que devia entregar-lhe uma bomba em troca de plutônio, mas acaba levando uma tranqueira cheia de peças de relógios velhos, não ia mesmo querer pegar o espertinho de pau? E a bordo de uma Kombi!
Biff
Ele é escrotão e bobo simplesmente por ser. O tipo de vilão perfeito para a produção, Biff não passa de um valentão que leva o que merece quando encontra o caminhão de esterco. Mas não é que eu fico com um pouco de pena dele no final, com aquela aparência servil? Liga não, eu sou tonta mesmo.
A incredulidade de Doc
Ao ser perguntado pelo cientista sobre quem era o presidente dos Estados Unidos em 1985, Marty não tem dúvidas: responde que é Ronald Reagan, que nos idos de 1955 não passava de um ator medíocre. Diante da resposta, Doc ri e pergunta: "Ronald Reagan? E quem é o vice? Jerry Lewis?!". E pensar que hoje a história se repete, guardadas as devidas proporções, com Schwarzzie...
O Encanto Submarino
O baile tem três grandes momentos: a dancinha ridícula (e irresistível) de George, logo no começo; a apresentação de Marty na guitarra tocando "Johnny B. Goode" e o tal do Marvin Berry ligando para o primo, Chuck, e estendendo o telefone em direção ao palco com a frase: "sabe aquele som que você está procurando? Ouve só!". Isso sem contar o nome do evento, que é demais.
A trilha
Aquele som grandioso que é tema do filme foi feito reunindo-se uma orquestra nos estúdios. Eles gravavam assistindo a cenas da produção. Misture a isso um hit indefectivelmente 80 – "The Power of Love", cantada pelo boa-praça Huey Lewis, que tem uma ponta na história – e é só correr pro abraço.
O argumento
O roteirista Bob Gale contou que a idéia surgiu de um bate-papo, em que ele começou a imaginar como seria conhecer seus pais quando eles tinham a sua idade. Para mim, essa é uma das chaves do sucesso do filme. Quem nunca quis fazer o mesmo? Observando as fotos do casamento dos meus pais, sempre penso em duas coisas: o que será que eles conversavam e como meu pai está mais bonito agora...
Tudo acontece no Baile do Peixe Submarino, quer dizer,
do Encanto Submarino!